Novo coronavírus não foi criado em laboratório, diz estudo

Pesquisadores dos EUA, Reino Unido e Austrália encontraram evidências de que características do genoma do novo coronavírus sejam provavelmente resultado de seleção natural

Muito se especula sobre a origem do novo coronavírus, chamado Sars-Cov-2, desde seu surgimento na cidade chinesa de Wuhan. Quando casos passaram a ser registrados em outros países, as teorias conspiratórias de que ele foi criado em laboratório na China com objetivo de trazer vantagens econômicas ao país passaram a circular nas redes sociais.

Um estudo publicado na revista “Nature Medicine” descarta que o novo vírus, que surgiu no fim de 2019, tenha sido criado em laboratório. Pesquisadores dos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália encontram evidências de que características do genoma do novo coronavírus sejam provavelmente resultado de seleção natural.

Em comparação com outros vírus corona e após análises bioquímicas, os cientistas concluíram que o Sars-Cov-2 possui uma estrutura capaz de se conectar e infeccionar as células humanas muito eficaz, que seriam resultado de uma evolução. Caso tivesse ocorrido uma manipulação genética, um dos vários sistemas genéticos disponíveis para provavelmente teria sido usado para desenvolvê-lo.

Como muitos casos no início do surto foram relacionados com um mercado em Wuhan, os pesquisadores levantaram hipótese de que animais, como o morcego, podem ter servido inicialmente como hospedeiros.

Os cientistas buscam descobrir em qual etapa o novo vírus teria desenvolvido suas características próprias. Ainda não se sabe se Sars-Cov-2 desenvolveu essas características ainda no seu hospedeiro animal ou se isso aconteceu somente após ter contaminado os humanos.

Na última sexta-feira (20), o balanço da universidade americana Johns Hopkins indicou que mais de 10 mil pessoas morreram e mais de 220 mil foram infectados pelo vírus em mais de 100 países. Enquanto a China vê seus números de doentes caírem de forma drástica, a Europa se tornou o novo epicentro da pandemia. Itália já tem mais mortes do que foram registradas em território chinês.