Atleta mariliense relata situação em Portugal com o Coronavírus

João da Barreira: “Os treinos foram suspendidos e sem previsão de volta. Todas as instalações esportivas de Portugal estão fechadas”

Por Jorge Luiz/foto: Divulgação

O mariliense João Vitor de Oliveira, o “João da Barreira”, mora em Portugal há três anos e disputa a prova dos 110 metros com barreiras pelo clube Benfica, da capital Lisboa. Em contato com a reportagem JM, o atleta falou sobre o momento no país europeu por conta da pandemia do Coronavírus. O continente vive uma situação bem preocupante.

Até o momento da entrevista, ele relatou que em Portugal já tinham 451 casos confirmados do ‘Covid-19’, sendo 180 em Lisboa ou na região próxima. João Vitor disse que desde a semana passada os treinos no clube foram paralisados.

“Os treinos foram suspendidos e sem previsão de volta. Todas as instalações esportivas de Portugal estão fechadas. Eu tenho feito treinos dentro de casa e corridas em uma área sem circulação de pessoas. A medida de fato foi tomada na última sexta-feira (dia 13), mas já na quarta-feira (11) tínhamos planejado essa parada por conta do aumento de casos”, explicou.

O mariliense também frisou que ninguém da equipe de atletismo do Benfica está com o Coronavírus ou é caso suspeito até agora. “Essa tem sido uma preocupação do clube, eles têm mantido um contato conosco diariamente e adotaram medidas fortes para evitar o contágio”, lembrou.

 

Recomendação do Governo – No instante em que falava com a reportagem, João da Barreira estava dentro de um supermercado, comprando alimentos e relatou qual tem sido a recomendação das autoridades portuguesas.

“Fizeram um pedido público na TV que a gente se mantenha em casa e só saia para ir ao mercado ou farmácia, como é o meu caso agora. Os supermercados estão restringindo o acesso de pessoas, há um limite para entrar e aí fica uma fila. Entram duas pessoas e saem duas, não passa disso. O supermercado criou linhas demarcatórias para nós clientes darmos certa distância dos funcionários na padaria e no açougue. Nas próprias filas fora do mercado há recomendação para ficar pelo menos um metro de distância de outra pessoa”, relatou João Vitor.

O mariliense comentou que nos supermercados já há uma falta muito grande de determinados alimentos. “As pessoas nos desespero, acabaram por estocar alguns produtos. Infelizmente essa é uma situação que acontece por falta de conhecimento ou medo. Estou agora aqui na parte de frutas e legumes, e não tem praticamente nada”.

 

Sem aumento de preços – João Vitor enfatizou, que diferentemente do Brasil, onde os produtos nos supermercados estão em alta pela procura, em Portugal a medida dos estabelecimentos é totalmente contrária.

“Aqui a vantagem é que não houve aumento de preço das coisas, pelo contrário, eles fazem até promoções. Cheguei agora pouco aqui no supermercado e ele está praticamente todo em promoção, principalmente aqueles produtos que ficam encalhados: doces, bolachas, salgadinhos e sorvetes. Tudo isso quase por 50% de desconto, mas é claro que itens como álcool gel e máscaras estão em falta e quando chega esgota rapidamente.

O mariliense avisou que o uso de máscara está sendo descartado pelas autoridades. “A Organização Mundial de Saúde está recomendando para não usar as máscaras, pois para as pessoas que estão contaminadas (vírus encubado), mas não apresentam os sintomas, podem estar segurando o vírus. Está havendo muitas propagandas nas televisões e banners para não usar as máscaras”, finalizou.