Justiça aceita denúncia e torna réu acusado de assassinar transexual

Leonardo Cafer Junior está em liberdade, mas pode ser condenado a uma pena superior a 30 anos de reclusão

Por Matheus Brito / Foto: Divulgação

Decisão da Justiça de Marília aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público e transformou em réu o administrador Leonardo Cafer Junior pelo assassinato da transexual Marcelle Brandina, de 23 anos, em crime ocorrido em dezembro do ano passado.

O despacho foi assinado pelo juiz da 3ª Vara Criminal, Décio Divanir Mazeto, no último dia 12, mas a reportagem do Jornal da Manhã teve acesso apenas na quarta-feira (19) ao conteúdo da decisão.

“Recebo a denúncia, uma vez presentes os pressupostos autorizadores para a persecução penal. Cite-se o acusado para que ofereça resposta à acusação, por escrito, no prazo de 10 dias”, disse o magistrado

O administrador, que está em liberdade, foi indiciado pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Se condenado, Junior pode pegar uma pena superior a 30 anos de reclusão em regime fechado.

Caso – O corpo da vítima foi encontrado na manhã do dia 10 de dezembro do ano passado na altura do quilômetro 348 da rodovia. O pedreiro V.O.S., de 54 anos, pegava frutas quando localizou o transexual já sem vida.

Caseiro da propriedade rural vizinha relatou que no final da tarde do dia anterior, por volta das 17h15, encontrou um aparelho celular descarregado a 30 metros da porteira.

Ele recarregou a bateria do aparelho e por volta das 20 horas recebeu ligação de pessoa desconhecida perguntando por “Marcele”, pois ela estaria desaparecida após realizar programa sexual em um motel, localizado as margens da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294).

Investigação da DIG identificou possíveis locais em que a vítima poderia ter estado antes do crime. “Fizemos levantamento com amigos e descobrimos que ela esteve em um motel em Vera Cruz. Conseguimos também identificar a possível pessoa que estava nesse encontro”, disse o delegado Valdir Tramontini.

O homem foi encontrado por policiais civis numa mata em cidade vizinha, onde pretendia cometer suicídio. “Uma corda já estava amarrada na árvore e se a equipe de investigadores chega cinco minutos mais tarde ele teria tirado a própria vida por arrependimento de cometer o crime”, afirmou.

Em depoimento, o homem disse que o crime foi motivado por uma extorsão da vítima. A transexual teria exigido mais dinheiro para não informar a amigos e familiares o relacionamento homossexual.

“Ele alegou ter aplicado um golpe mata-leão e matou a vítima asfixiada. Após isso, colocou o corpo no carro e desovou na rodovia. À noite, o acusado retornou ao motel para buscar o veículo da transexual e o abandonou próximo a sede do Samu”, finalizou.