Ongs de proteção animal querem 30% das castrações do Município

Ofício da Upam já foi protocolado e Saúde Municipal estuda viabilidade

 

Foto: Divulgação

As organizações de proteção animal querem 30% das 1.200 castrações feitas por ano mediante terceirização municipal. O objetivo é dar destinação social a uma parte do contrato de combate à leishmaniose feito pela Prefeitura em 2018. Um ofício foi encaminhado à Secretaria Municipal da Saúde.

O Município já destina, para as ONGs, 20% das 1.800 castrações feitas por ano no Programa de Baixo Custo, por meio de parceria com clínicas veterinárias. No entanto, segundo essas organizações, a quantidade é incompatível com a demanda.

Os 20% anuais equivale a 360 procedimentos, resultando em 30 cirurgias por mês, divididas entre as seis entidades de Marília com essa proposta, o que significa cinco castrações por ONG por mês.

Para a população que se inscreve na Divisão de Zoonoses da Secretaria Municipal da Saúde as castrações do programa são R$80,00 para felinos e R$100,00 para caninos (abaixo de mercado). Mas para as ONGs são gratuitas.

“Destinamos essas cirurgias para famílias de baixa renda que querem castrar seus animais, mas não conseguem arcar com o custo, nem pelo programa social”, disse a presidente da Upam (União Protetora dos Animais de Marília), Tessa Elisabeth Carvalho.

A Upam é a ONG responsável pelo pedido oficial de mais castrações gratuitas. Em nome das seis entidades de proteção animal, Elisabeth solicitou 30% das 1.200 castrações feitas pela Prefeitura para o combate à leishmaniose. Os procedimentos são cumpridos pelo Icev (Instituto de Cirurgias e Especialidades Veterinárias), mediante terceirização.

Com mais esses 360 procedimentos, dobraria a capacidade das ONGs no atendimento a famílias de baixa renda. Cada uma das seis entidades faria a triagem das famílias necessitadas, assim como já acontece em relação ao Programa de Baixo Custo.

A Secretaria Municipal da Saúde alega que a terceirização do Icev visa atingir as áreas de risco para leishmaniose. Porém, as ONgs contra-argumentam que o risco existe por toda cidade, já que está ligado ao descontrole da população animal.

Além disso, os animais recolhidos e destinados à adoação são castrados por essas ONGs, que atuam de forma voluntária, com pouco ou nenhum recurso público.

“Nossa solicitação visa preservar a saúde pública. E seria uma oportunidade da Prefeitura colaborar com as ONGs protetoras, que há décadas se esforçam e se endividam para fazer o controle populacional de cães e gatos na cidade”, disse a presidente da Upam.

Solicitação quer reaver castrações de gatos

A solicitação da Upam à Secretaria Municipal da Saúde inclui também a reativação das castrações gratuitas de gatos, feitas pela médica veterinária do Bosque Municipal.

Essas castrações equivaliam a três por mês por entidade, mas acabam estendidas pela quantidade necessária. “Voluntariamente a médica veterinária atendida nossos pedidos, e a Prefeitura ajudava fornecendo os materiais”, lembrou Elisabeth.

O trabalho durou cerca de quatro anos e foi suspenso no ano passado por má conduta de um representante da causa, que questionou a quantidade de castrações feitas para uma outra ONG.

“Foi um ato isolado que não nos representa. O serviço dessa veterinária era muito bem feito e relevante”, mencionou Elisabeth. Ela frisou que o descontrole populacional de cães e gatos é um risco à saúde pública. As fêmeas felinas se reproduzem três vezes ao ano, uma a mais que as cachorras.

Secretaria da Saúde estuda proposta

A Secretaria Municipal da Saúde informou ontem (13) ao Jornal da Manhã que o pedido foi protocolado na quarta-feira (12), “e ainda estão sendo colhida todas as informações necessárias na Divisão Municipal de Zoonoses” para o estudo da proposta.