Editorial

Mais um militar para o time

  

Demonstrando uma insegurança absurda e engessando ainda mais a articulação política do atual governo, o presidente Jair Bolsonaro deve trocar o comando da Casa Civil.

E vem mais um militar por aí. O general Walter Souza Braga Netto já teria até recebido o convite da Presidência para assumir o lugar de Onyx Lorenzoni.

O que foi a gota d’água para a queda de Onyx na Casa Civil, que deve ser anunciada oficialmente nos próximos dias, foi o episódio em que o representante de alto escalão da Pasta perdeu o cargo por fazer uso indevido de um avião da Força Aérea Brasileira.

Onyx passou em branco na meritocracia particular do governo, mas por ser apoiador antigo de Bolsonaro vai ganhar mais uma chance. A tendência é que ele assuma o comando do Ministério da Cidadania, ocupado atualmente por Osmar Terra.

A ida ao Planalto do general Luiz Eduardo Ramos, amigo de Bolsonaro desde os tempos de cadete, começou a mudar a direção do governo. Antes, a influência ideológica do “Bolsonarismo” vinha informalmente dos filhos de Bolsonaro e de discípulos do escritor Olavo de Carvalho, que destratou inúmeras vezes generais.

Ramos aparou algumas arestas em crises com o Congresso Nacional e ajudou a moderar a agressividade com que os filhos do presidente atacavam desafetos no governo. Desta forma, ele foi ganhando pontos com Bolsonaro e fazendo com que ele apostasse em mais militares para ter governabilidade.

O eixo renovado de poder militar no governo conta ainda com o ministro da Defesa, o também general do Exército Fernando Azevedo. Articulador hábil, ele manteve pontes ativas durante 2019 com o Judiciário.

O vice-presidente, Hamilton Mourão, que também é general da reserva, é outro que continua forte com Bolsonaro. Ele moderou suas posições em debates internos e passou a ser visto com menos desconfiança pelo Alto-Comando do Exército, que reúne a elite da ativa, e pelos ministros de origem militar.

E é com este time de militares (em sua grande maioria) que Bolsonaro pretende continuar governando o Brasil, com a promessa de combater a corrupção e de mudar a realidade da política nacional.

Na prática, o que se vê não é isso, uma vez que no ano passado foi necessário agradar parlamentares com emendas “gordas” para a aprovação de projetos importantes, ou seja, o “toma lá dá cá” continua. E isso é sim corrupção.

A principal perda com tantos militares no poder é a diminuição da capacidade de se produzir políticas públicas que possam ser colocadas em prática, afetando positivamente a vida da população em áreas como saúde, educação, segurança pública, assistência social e outras.

O que se viu no primeiro ano de mandato de Bolsonaro foi completamente o oposto, com a redução significativa de investimentos, sobretudo na educação, fazendo com que o País retrocedesse em muitos pontos. Agora, é aguardar para ver o resultado destes próximos três anos de governo.