Aos 29 anos, aluna do Ceeja é aprovada no curso de Pedagogia da Unesp

Faxineira conciliou os estudos com trabalho e a criação dos dois filhos de 9 e 13 anos

Por Izabel Dias 

Acostumada a enfrentar muitas dificuldades desde a infância, Elisângela da Silva Almeida parece ainda não acreditar que está realizando um sonho. Aos 29 anos e trabalhando desde os 12 como faxineira, ela foi aprovada no vestibular da Unesp  para o curso de Pedagogia e está ansiosa para o início das aulas em março.

Elisângela concluiu o ensino médio no Ceeja (Centro de Educação de Jovens e Adultos) de Marília, conciliando os estudos com o trabalho e a criação dos dois filhos de 9 e 13 anos. Ela conta que sua vida sempre foi muito difícil, mas no Ceeja além do conhecimento encontrou apoio. “Me motivaram muito. O coordenador João, os professores. Nunca vi professores como eles. Eles param pra ouvir sua história, choram com você, te motivam a não desistir”, disse.

A caloura da Unesp afirma que seu dia a dia sempre foi muito difícil, já que paga aluguel e cria  os filhos sozinha. A rotina a impediu de concluir o ensino médio mas sempre pensava em voltar. Com os filhos crescidos procurou o Ceeja e mesmo com o dia a dia corrido e a distância entre sua casa e a escola, acreditou no sonho da universidade. “Ouvi muita coisa negativa na vida. Fui discriminada, me falaram que eu não servia nem pra ser faxineira”.

Elisângela às vezes chegava em casa às 23h e ainda tinha livros e deveres da escola para fazer. E no Ceeja ela encontrou o apoio pedagógico e psicológico de que necessitava para seguir em frente. “Eles me incentivaram a me inscrever no vestibular. Eu tinha medo, não acreditava que conseguiria. O Ceeja além das aulas tem também atividades sobre depressão, suicídio, preconceito; e isso nos ajuda muito”.

Quando passou na primeira fase do vestibular, Elisângela ficou feliz mas com medo de não ser aprovada na segunda. Ela afirma que o mais difícil foi a redação, mas no Ceeja também teve aulas de redação. Quando viu seu nome na lista de aprovados, quase não acreditou. “Olhei a lista e não acreditei; tirei print, olhei de novo, fiquei muito feliz”.

Elisângela agora vai enfrentar o desafio da faculdade e disse que não vai desistir. Pretende seguir a carreira de professora quando concluir a faculdade. “Eu gosto de ensinar, desde criança ensinava crianças na igreja. Não vou desistir”, disse. E ninguém duvida. De perseverança Elisângela entende.