Editorial

Com a boca fechada é um poeta

 

Ao se recusar a falar com a imprensa, ontem (10), no Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro prestou um serviço à nação brasileira, cansada de tantas asneiras ditas por ele desde que assumiu o governo - antes, na campanha eleitoral era pior.

No último sábado (8), na saída da residência oficial da Presidência, o chefe do Executivo fez gesto obsceno para os jornalistas, após se irritar com a cobertura jornalística sobre uma declaração dada por ele na quarta-feira (5), em que afirmou: “pessoas que vivem com HIV são custosas para o País”.

Nesta segunda-feira, Bolsonaro acompanhou o hasteamento diário da bandeira, cumprimentou apoiadores e afirmou que não falaria com a imprensa, por conta de possíveis deturpações.

Não é de agora que o presidente tem esta postura com repórteres. Tudo bem que existe o jornalismo de manipulação e posturas questionáveis de profissionais, mas, uma pergunta que não quer calar: “cadê o espírito democrático?”.

Vivemos em uma democracia e a imprensa tem liberdade de expressão, bem como a população. A mordaça e a censura ficaram para trás em um passado que o brasileiro não gosta de lembrar, de ditadura militar, censura e abusos de autoridade (muitas vezes violentos) de militares com quem se manifestasse contra o regime autoritarista.

Segundo a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), somente no ano passado o presidente Jair Bolsonaro atacou a imprensa pelo menos 116 vezes.

Claro que existem os dois lados da história e ambos são ridículos. O primeiro é que não há respeito da Presidência com emissoras e veículos de comunicação classificados por ele como “oposicionistas ou de esquerda”. E o segundo é o da imprensa que persegue o atual governo, mesmo em ações positivas para o bem do Brasil.

Infelizmente, em ambos os lados não existe uma ideologia. O que há é a disputa pelo poder, pura e simples.

Para a sorte do presidente Bolsonaro [e muitas vezes azar nosso (sic)], a força das mídias sociais, que encampam as redes sociais, fazem com que os discursos autoritaristas dele cheguem até a população, restrita apenas a concordar e absorver a mensagem de que “o bem está vencendo o mal”.

A postura adotada por Bolsonaro de se calar poderia ser constante, o que nos pouparia de ouvir tantos comentários péssimos, que demonstram o baixo nível cultural, excesso de preconceitos e autoritarismo dele perante uma sociedade já cansada de tantos desmandos.

O País merece um chefe de estado mais preparado, que fale em nome da nação e não de interesses próprios. Se estivesse entre nós, meu saudoso avô diria que Bolsonaro “com a boca fechada é um poeta”.