População idosa se iguala à infantil em Marília

Índice de envelhecimento aumentou 30% nos últimos dez anos

 

Foto: Divulgação

A população idosa se igualou à infantil em Marília. Dados da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) mostram aumento no índice de envelhecimento de 30% nos últimos dez anos. De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, a cidade concentra uma das populações mais idosas do estado.

Em 2010 havia em Marília 69,22 pessoas com idade acima de 60 anos para cada cem indivíduos de zero a 14 anos. O índice aumentou gradativamente, ano a ano, até atingir os 99,91% em 2019.

Ou seja, para cada cem crianças até 14 anos há atualmente 99,91 (aproximadamente cem) idosos. O processo de envelhecimento populacional é multifatorial. O aumento da estimativa de vida e a redução de nascimentos têm influência direta no aumento do índice.

No entanto, no caso de Marília, o índice de natalidade (por mil habitantes) se manteve estável desde 2010, sem redução e até com ligeiro aumento, sendo de 13,02% naquele ano e de 13,58% em 2018. A Fundação Seade ainda não computou os dados de 2019.

“Marília concentra uma das populações mais idosas do estado”, mencionou a gestora municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Wania Lombardi, que prevê um aumento ainda maior de idosos em relação aos jovens na próxima década.

Ela frisou que a população idosa está no foco de atenção da Administração Municipal, que, desde 2018, incluiu 66 cuidadores de idosos concursados em serviços públicos de Marília.

Wania Lombardi salientou que a cidade continua sendo a única de São Paulo com três Centros-Dia do Idoso. As demais contam com apenas um. As 140 vagas entre as unidades da zona norte, sul e central devem aumentar para atender à fila de espera, hoje de cem pessoas.

No entanto, a pasta ressaltou que o serviço tem exigências para o atendimento, incluindo critério socioeconômico. E precisa manter o padrão de qualidade exigido pelo Ministério Público e pela Drads (Diretoria Regional de Assistência e Desenvolvimento Social).

Grupos promovem envelhecimento saudável

Além disso, segundo a pasta, o trabalho do Município engloba a prevenção. “O Centro-Dia evita o asilamento. Mas nosso investimento também está antes disso, nos grupos de convivência do idoso, que retardam a ida dos idosos para o Centro-Dia, ILPIs (instituições de longa permanência do idoso) e serviços de saúde”, disse Wania Lombardi.

As ILPIs são os asilos. Marília conta com três, Mansão Ismael, Lar São Vicente de Paulo e Casa do Caminho. Os Centros-Dias atendem idosos parcialmente dependentes, sem recursos para cuidadores, para que os familiares possam trabalhar durante o dia e eles não tenham que residir numa dessas entidades, geridas por voluntariado.

No entanto, antes disso, os maiores de 60 anos contam com os grupos de convivência do idoso, onde têm acesso a atividades físicas, de lazer e informativas.  

São cinco desses grupos em Marília, inseridos em cada um dos Cras (Centros de Referência da Assistência Social), contando com psicólogos, assistentes sociais e educadores físicos.

“Nesses grupos os idosos têm dança, ginástica, capoeira, artesanato, oficinas, palestras, passeios e até excursões, sendo voltados à qualidade de vida”, acrescentou a secretária.

Wania Lombardi observou ainda a nova exigência da Prefeitura quanto à acessibilidade nos próximos projetos dos programas habitacionais, com portas mais largas e rampas de acesso, entre outros itens.