Comunidade promove a limpeza do Argolo Ferrão com apoio municipal

Moradores limparam pontos improvisados de “lixão” e querem continuidade da ação

 

Foto: Edio Junior

A comunidade do Argolo Ferrão assumiu ontem a limpeza dos pontos improvisados de “lixão” espalhados no local. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Limpeza Pública disponibilizou um caminhão e um trator, mas a maior parte do trabalho foi manual pela dificuldade de acesso.

Funcionários da Saúde também participaram na orientação aos moradores. O objetivo foi o combate a dengue.

O trabalho de ontem visou limpar os focos de risco para água parada, já que a área do Argolo concentra quase metade das vítimas de dengue confirmadas na cidade neste primeiro mês de 2020: oito dos 18 casos.

E ainda há 62 moradores suspeitos de contaminação, que estão ou estiveram doentes, mas ainda aguardam o resultado do exame laboratorial.

A Prefeitura deu suporte com veículos de coleta, orientação e materiais como sacos de lixo e luvas. No entanto, a própria comunidade fez a retirada do lixo acumulado no mato em alguns pontos do Argolo.

A Associação de Moradores pediu o apoio municipal, mas quer ir além dessa coleta pontual. A vice-presidente, Érika Cristina da Silva, mencionou a necessidade de um projeto de coleta dentro da comunidade.

Ela explicou que os moradores não sobem até a rua Pedro Roberto Sibilhano para levar o lixo pela distância. E também por não comportar todo lixo domiciliar das, pelo menos, 300 famílias que vivem nessa comunidade do Argolo.

A rua Pedro Roberto Sibilhano é a primeira do bairro, onde já há asfalto e coleta regular do lixo. A comunidade desce o morro, onde são formadas cerca de cinco vias, mas o tráfego constante de veículos é inviável por conta da falta de estrutura do local.

Além de irregulares, essas vias apresentam canos de água e esgoto superficiais ou à mostra. “A nossa proposta ao Município é um projeto adaptado porque sabemos da dificuldade de coleta comum de lixo.

Estamos pensando em lixeiras fechadas para que as pessoas depositem seu lixo diário e em uma base única de lixo, com caçambas, para o depósito semanal”, mencionou a vice-presidente da associação.

A base de lixo ficaria num local de mais fácil acesso do caminhão de coleta para recolhimento periódico uma vez por semana. Érika Silva disse que ainda é preciso uma reunião com o Município para definir o projeto, mas que é fundamental dar seguimento a essa ação.

“Essa limpeza agora é muito importante, mas não vai adiantar se não houver uma mudança na comunidade”, frisou a líder comunitária, que é uma das vítimas de dengue.

Além da formação de criadouros do mosquito transmissor da doença, Aedes aegypti, o lixo acumulado favorece a proliferação de outro inseto, o palha, que se reproduz em matéria orgânica e transmite leishmaniose.

Os lixões também levam a outros riscos, como de animais indesejáveis, entre eles, os escorpiões e os roedores. Além desses pontos de acúmulo de lixo, a ação visou a limpeza de vielas, quintais, margens de barrancos, entre outros espaços de difícil acesso, onde apenas os moradores têm domínio.

A iniciativa foi da própria comunidade, apoiada pela Prefeitura.