Editorial

                      O besteirol de Lewandowski

 

O ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski, demonstrando sinais claros da senilidade e do petismo que corre no sangue, deu entrevista ao jornal espanhol El País, com intensa verborragia, extrapolando o nível do bom senso e chegando ao absurdo da explícita defesa de bandidos. O foco principal foi, como não poderia deixar de ser, a operação Lava Jato, que tem sido criticada descaradamente tanto por Lewandowski como pelo seu parceiro campeão de habeas corpus do STF (para políticos e empresários corruptos), Gilmar Mendes. Em entrevista ao El País, o magistrado disse que “as operações foram extremamente seletivas, e não foram democráticas no sentido de pegar os oligarcas de maneira ampla e abrangente”.

Mas a reação foi imediata. O coordenador da Lava Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, e o procurador Roberson Pozzobon, que também integra a força-tarefa, rebateram as declarações do ministro

Em seu perfil no Twitter, Pozzobon criticou a decisão do Supremo de vetar o início do cumprimento da pena após condenação em 2ª Instância, em novembro do ano passado. Foi essa decisão que abriu caminho para a soltura do ex-presidente Lula (corrupto condenado em terceira instância), do ex-ministro José Dirceu e do ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo. Ele declarou que “a verdade é que com a decisão do STF que impôs o fim da prisão em 2ª instância as solturas não foram nenhum pouco seletivas”.

Também via Twitter, Deltan Dallagnol endossou o comentário do procurador. “Quantas pessoas o Supremo condenou até agora na Lava Jato, quase 6 anos depois?”, questionou. Foi um tapa com luva de pelica na cara (de pau) de Lewandowski e sua trupe.

O desequilibrado ministro do STF insistiu em criticar a operação Lava Jato, que é defendida pela população brasileira, inclusive com várias manifestações pelo País, também condenando decisões do Supremo Tribunal Federal (até pedindo o fechamento da corte). “É preciso ter muito cuidado quando se quer fragilizar os direitos e garantias do cidadão em juízo, dentro de um contexto politicamente matizado. Eu acho que há valores de que não se pode abrir mão de forma nenhuma. São valores que resultam de lutas milenares dos povos contra a autocracia, a tirania, a opressão. É por isso que eu digo que essa avaliação episódica que certas operações produziram pode se mostrar no futuro próximo — e não digo um futuro distante — realmente uma falácia.”

Lewandowski chegou ao fundo do poço da debilidade ao defender publicações inconfiáveis e conseguidas por hackers contra a Lava Jato. Ele disse que as mensagens roubadas da Lava Jato devem ser usadas para corrigir os desmandos:

“Em primeiro lugar eu acho que as revelações do The Intercept são gravíssimas. Denúncias que precisam ser apuradas e que, diga-se, até o momento não foram desmentidas. Agora, o Supremo já corrigiu certos desmandos que ocorreram, não só no âmbito da operação Lava Jato, mas também em outros juízos, de 1º e 2º graus. Por exemplo, a condução coercitiva, largamente praticada no âmbito da Lava Jato, foi considerada inconstitucional. Denúncias e condenações que foram feitas com base só em delações premiadas, o STF disse que são nulas — é preciso haver uma outra prova além daquela informação prestada pelo delator que tem interesse em se beneficiar. O STF fez várias correções no que diz respeito ao devido processo legal. Algumas correções de rumo foram feitas antes mesmo do vazamento do The Intercept (site sensacionalista de esquerda do norte-americano Glenn Greenwald, “casado” com o deputado do PSol, David Miranda). E pode ser que, a partir da constatação de que, de fato, algumas ou todas essas denúncias têm correspondência com a realidade, o Supremo aprofunde ainda mais essas correções de práticas que ofendem a Constituição, o Código de Processo Penal e o Código Penal.”

Na verdade, a entrevista do ministro Ricardo Lewandowski é um compêndio de asneiras, de absurdos e de defesa de bandidos, corruptos, que o STF deveria agir e condenar à prisão, em vez de fazer vistas grossas e distribuir acintosamente levas de habeas corpus para os corruptos de estimação. Lewandowski tem estreitas relações com a família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi indicado ao STF pela ex-presidente Dilma Rousseff, com aval de Lula, o chefe da quadrilha desmantelada pela operação Lava Jato.