Desempregada sofre a falta de orientação em serviços públicos

A dona de casa Patrícia Vieira quase perdeu uma entrevista de emprego por falta de atendimento e orientação

 

Foto: Ana Carolina Godoy

Apesar da informatização do serviço público, a população sofre a escassez e o despreparo de profissionais em algumas unidades. É o caso do Ministério do Trabalho e da Caixa Econômica Federal. A dona de casa Patrícia de Cássia dos Santos Vieira quase perdeu uma entrevista de emprego ontem por falta de atendimento e orientação.

A adequação do cidadão às documentações nacionais e regulamentações trabalhistas conta com sistemas informatizados. No entanto, também emperra na falta de material humano e de qualificação profissional para o atendimento físico à população.

Patrícia de Cássia dos Santos Vieira passou 20 anos fora de mercado e, com os filhos crescidos, decidiu voltar a estudar e procurar trabalho. Só sua primeira dificuldade foi obter a carteira de trabalho digital.

Ontem (10) ela esteve no Poupatempo e o sistema fez perguntas sobre o emprego anterior que não condiziam com sua realidade. Ao se deparar com o problema, ela não encontrou nenhum profissional que pudesse ajuda-la a resolvê-lo ou que lhe desse uma orientação a respeito.

“A mesma divergência ocorria sucessivamente e só me falavam para voltar na segunda-feira. Mas, se o sistema é falho ou se eu não estou sabendo lidar com ele, a situação obviamente vai se repetir na segunda-feira”, contou.

Patrícia resolveu se dirigir ao Ministério do Trabalho e encontrou a unidade praticamente vazia. Os guichês só atendem com horário marcado e ela precisava de ajuda ainda ontem, por conta de uma entrevista de emprego no período da tarde.

A dona de casa recebeu a informação que ninguém desceria até o térreo para atendê-la e, após 20 minutos de tentativa, procurou o Jornal da Manhã. “Só os vigias falaram comigo”.

Somente quando Patrícia Vieira retornou ao Ministério do Trabalho acompanhada da reportagem do Jornal da Manhã ela recebeu atendimento e conseguiu fazer sua carteira de trabalho digital.

“Todo esse desgaste poderia ter sido evitado se eu tivesse recebido atendimento adequado no Poupatempo ou ainda na Delegacia do Trabalho. Faltam profissionais e falta boa vontade”.

Patrícia passou 20 anos em função dos filhos, em especial um deles, que tem uma condição delicada de saúde. Ao resolver voltar para o mercado de trabalho, dedicou 2019 a estudar. “Eu só tinha até a sétima série e consegui concluir o ensino médio no Ceeja (Centro Estadual de Educação para Jovens e Adultos). Estudei muito para isso”.

Antes de conseguir tirar a carteira de trabalho digital ela chegou a chorar diante do descaso que enfrentou. “Como cidadã, tenho direito aos atendimentos necessários nos serviços públicos”.

Sem abertura de concurso público e com parte dos funcionários terceirizados, a Caixa Econômica Federal também reflete a impessoalidade do atendimento público. O Jornal da Manhã já recebeu queixas sobre a dificuldade na CEF, pela falta de orientação dos atendentes que entregam as senhas e são terceirizados.

Segundo Patrícia Vieira, a modernização dos sistemas, que deve trazer praticidade e agilidade, contradiz com a falta de orientação que torna lenta e desgastante a resolução dos problemas.