Editorial

                      Inflação acima da meta

 

Lá se foi 2.019, mas fica um rastro de problemas e dificuldades enfrentadas pela população e também pelo governo, que não conseguiu ainda colocar o trem nos trilhos. Foi um ano arrastado principalmente pela falta de vontade política do Congresso Nacional e falta de reformas que possam ativar a economia, promover o desenvolvimento, buscar investimentos, baixar a inflação e aumentar o número de vagas de trabalho.

A inflação no País ainda preocupa muitos os economistas e analistas, que esperavam um índice menor do que foi registrado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, fechou 2019 em 4,31%, ultrapassando o centro da meta para o ano, que era de 4,25%. Em 2018, o índice ficou em 3,75%.

Trata-se da maior inflação anual desde 2016, quando o índice ficou em 6,29%, segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (10).  

Há quem afirme que a situação não é de toda ruim, já que a inflação ainda ficou dentro da meta do governo. O resultado ficou acima do esperado pelo mercado. Os analistas das instituições financeiras previam uma inflação de 4,13% em 2019, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central.

Apesar de ter ficado acima do centro da meta, a inflação oficial ficou dentro do limite de variação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, definido pelo Conselho Monetário Nacional. Pela meta estabelecida, a inflação poderia ficar entre 2,75% e 5,75%.        

Mas já se tem uma explicação plausível para o aumento da inflação: o violento aumento da carne bovina desde novembro do ano passado. A inflação de 4,31% em 2019 foi pressionada principalmente, pelo grupo "Alimentação e bebidas", que apresentou alta de 6,37% no ano e impacto de 1,57 ponto percentual no acumulado de 2019. Na sequência, pesaram os custos dos "Transportes" (3,57%) e "Saúde e cuidados pessoais" (5,41%), com impactos de 0,66 pontos percentuais. e 0,65 p.p., respectivamente.

Mas o grande vilão da inflação em 2019 foi, sem dúvida, a carne, que teve alta de 32,40%, representando um impacto de 0,86 pontos percentuais (p.p.) no indicador geral. Ou seja, se o preço das carnes tivesse ficado estável no ano, a inflação de 2019 teria fechado em 3,54%.  

A disparada dos preços, principalmente nesta reta final do ano, aconteceu em meio ao aumento das exportações para a China e à desvalorização do real. Para 2020, a carne não deverá ficar mais cara, mas também não terá os valores praticados há um ano, de acordo com especialistas. Ou seja, a população vai ter que se acostumar aos novos preços e se ajustar na composição da alimentação. Contudo, não faltam esperança e otimismo em relação a este ano, na expectativa de que haja maior desenvolvimento e melhores dias para o País.