Marília registra primeiro suicídio do ano

Ficar sozinho em crises emocionais é desaconselhado por psicóloga e isolamento pode indicar depressão ou outros transtornos mentais

 

Foto: Ilustração

O ano de 2020 mal começou e o município já tem seu primeiro registro de suicídio. Um homem de 35 anos tirou a própria vida no dia 1º. A psicóloga Juliana Nogueira Carbonari alerta para a importância de procurar ajuda e nunca ficar sozinho durante uma crise emocional.

O homem morreu em casa, no Parque das Vivendas, zona oeste de Marília. O fato aconteceu às 11h30 da manhã desse 1º de janeiro (feriado) e há sinais de que ele estivesse em uma crise emocional aguda.

“É fundamental que a pessoa com sintomas de depressão ou transtorno mental procure ajuda. O CVV (Centro de Valorização da Vida) é considerado o maior aliado da Saúde na prevenção ao suicídio. O número da ligação, anônima e gratuita, é 188, disponível 24 horas por voluntários do Brasil todo e também anônimos.

“E qualquer posto de saúde da rede está apto a fazer esse acolhimento, inclusive com treinamento de equipe e não só dos profissionais de saúde, mas de todos que atuam nesses serviços”, lembrou a psicóloga.

Juliana Carbonari ressaltou que qualquer ajuda é melhor que nenhuma. A pessoa pode ligar no CVV, ir a um posto de saúde, no Pronto-Socorro ou Prontos Atendimentos, falar com alguém de confiança ou até ir à farmácia mais próxima.

“O que a população precisa compreender é que qualquer um pode ajudar alguém em sofrimento psíquico, basta que ofereça atenção e escuta, sem qualquer julgamento e sem querer encontrar uma solução imediata para o problema do outro.

A solução, naquele momento, é apenas saber ouvir, desenvolvendo a empatia”, orientou a psicóloga.

Os sintomas que merecem atenção e cuidado são instabilidade emocional, falta de vontade, isolamento, tristeza persistente, alteração do sono ou/e do apetite, irritação e/ou insatisfação persistentes.

"Não adianta o argumento de que falta Deus. Muitas vezes se trata de depressão ou outro transtorno mental e até dependência química, sendo essencial um tratamento de saúde. E é preciso algum fator motivador, algo que a pessoa goste.

O problema é que há muitos casos em que a pessoa não consegue se aproximar do que gosta e se afastar do que não lhe faz bem por conta própria, precisa de ajuda para isso”, explicou Juliana Nogueira Carbonari.

A psicóloga alertou as pessoas para que não subestimem a depressão ou outro transtorno mental. “A pessoa está doente, ela não reage não é porque não quer”.

Psicóloga destacou risco de álcool e drogas

A profissional pediu às pessoas em sofrimento psíquico para que não busquem consolo em álcool e drogas.

“Drogas lícitas e ilícitas só potencializam a violência contra o próximo e si próprio. Não vai resolver e vai agravar o problema. Infelizmente muitos dos casos de suicídio registrados em Marília têm estado associados ao uso de entorpecentes ou álcool”.