UPA atende 90% da demanda, excluindo apenas casos “azuis”

Serviço ameaçou atendimento somente às urgências e emergências em função da inadimplência municipal

Foto: Edio Junior

A UPA funcionou normalmente ontem, data em que começaria a restrição às urgências e emergências em função da inadimplência municipal.

Somente os pacientes classificados com a cor azul (Manchester), ou seja, sem risco, foram referenciados para a rede básica de saúde do Município. Esses representam 10% da demanda.

A Unidade de Pronto Atendimento recebe repasse federal (R$ 500 mil/mês), mas a maior parte vem da Prefeitura (R$ 670 mil, além de mais R$ 130 mil se as metas de atendimento e qualidade forem cumpridas).

Só que a atual gestão municipal deve R$ 7,7 milhões à unidade e a ABHU (Associação Beneficente Hospital Universitário) precisou endividar o HBU (Hospital Beneficente Unimar) para suprir o déficit e manter o funcionamento do serviço.

A ABHU é vinculada à universidade e responde pelos serviços de saúde da instituição: UPA, HBU e AME (Ambulatório de Especialidades).

Em maio deste ano a Secretaria da Fazenda sugeriu um financiamento à ABHU para custeio da UPA até a quitação municipal, o que foi feito. A Prefeitura entrou como fiadora, mas não arca com os juros bancários.

“O empréstimo foi de R$ 3,7 milhões, mas foi insuficiente. E ainda temos juros a serem pagos ao banco”, relatou a superintendente da ABHU, Márcia Mesquita Serva Reis.

Na semana passada a Unimar entrou em acordo com a Prefeitura, que se comprometeu com o pagamento dos atrasados a partir de janeiro. Por conta disso, a UPA não restringiu o atendimento somente para as urgências e emergências. Porém, a unidade aumentou o rigor quanto aos casos classificados com a cor azul.

A UPA, inaugurada em 2016, sempre atuou com a Classificação de Manchester que estipula a cor vermelha para os casos de atendimento imediato, alaranjada para atendimentos em até meia hora e amarela para até uma hora. A cor verde refere-se a pacientes que podem aguardar até duas horas e a cor azul, até quatro horas.

Essa ordem de gravidade, risco e prioridade de atendimento é estabelecida por uma triagem que inclui perguntas e sinais vitais. “Nossa prioridade são as cores vermelha, alaranjada e amarela, mas a verde também é importante porque pode agravar e ser reclassificada”, disse o diretor administrativo da UPA, Luiz Doretto.

Somente a cor azul passou a ser referenciada para a rede básica desde ontem (27), às 7h. No entanto, o diretor destacou que a medida não é restritiva e atende ao perfil da UPA, que não é voltado a esses casos crônicos ou sem gravidade.

“São casos como bicho de pé, micose, piolho, uma dor crônica que precisa ser investigada, mas sem crise aguda”.

Desde 2016 já houve várias tentativas de concentrar o atendimento nas quatro primeiras cores de Manchester, mas, na prática, a UPA acaba absorvendo a demanda “azul” da rede básica.

Outra mudança adotada pela UPA desde ontem é o atendimento da ortopedia sem acompanhamento dos pacientes.

“Na prática, acabamos montando um ambulatório de ortopedia, mas vamos seguir acompanhando apenas os pacientes que já estão sendo atendidos aqui (UPA). Os demais serão socorridos, imobilizados e referenciados para acompanhamento na sua unidade de saúde”, explicou o diretor.