Carol Castro diz que filme O Juízo vem em momento mais seguro da carreira

A personagem de Carol Castro começa e termina o filme O Juízo ao volante do carro do diretor Andrucha Waddington.

A personagem de Carol Castro começa e termina o filme O Juízo ao volante do carro do diretor Andrucha Waddington.

É representativo, ela diz emocionada, deste momento em que sente que tomou a direção, finalmente, de sua carreira.

O suspense estreiou na última quinta-feira (5) com Carol em um papel diferente da carreira: mãe de um adolescente, ela é responsável por manter a estranha família ilesa.

Com 35 anos de idade e 20 de profissão, a atriz se dia agradecida por sua trajetória, mas tem um porém: por muito tempo, diz ter feito muitos papéis sensuais.

“No início da carreira teve esse momento de fazer personagens parecidos e muito porque eu não tinha maturidade e nem experiência para me posicionar, me defender ou escolher o que eu gostaria de fazer.

Hoje eu tenho mais bagagem, estou em um lugar de escolher o que eu faço,” disse.

Agora, ela tem uma pequena ajuda para ter mais segurança na hora de aceitar ou rejeitar papéis: um Kikito, prêmio do festival de cinema de Gramado, como melhor atriz coadjuvante pelo filme Veneza. "Isso também traz um reconhecimento, um carimbo de autenticidade ali, é muito importante," diz Carol, que ficou conhecida na TV, rodou o Brasil com o teatro, mas gosta mais de fazer cinema. Apesar disso, acha que essa “richa” tem que acabar. “Eu acho uma besteira.”

Até o fim de dezembro, ela roda uma comédia em São Paulo.

Para 2020, ainda não há planos. “Fica difícil estar em um projeto já pensando em outro. As coisas vão acontecendo.”

Criolo, Felipe Camargo e Joaquim Torres Waddington também estão no elenco. Fernanda Montenegro e Lima Duarte atuam como coadjuvantes, mas foram imprescindíveis para a criação da atmosfera de suspense de O Juízo.

A história foi escrita por Fernanda Torres, mas não impediu que Montenegro levantasse questões. “Eles questionavam várias coisas, foi uma grande preparação”, diz Carol.

Fantasmas de ex-escravos

No filme, a família principal é assombrada pelo fantasma de dois ex-escravos de seus antepassados. “É o carma brasileiro, que a gente carrega dos nossos antepassados,” diz Carol Castro.

 E a casa onde o filme acontece carrega essa história. “Só a locação já nos colocava nesse desconforto histórico que nos acompanha,” afirma a atriz.

O Brasil tem apostado em suspense e terror. Nos últimos dois anos, foram "Morto não fala", "A sombra do pai", "Animal cordial" e "Boas boas maneiras".

O Juízo é, de certa forma, precursor desse movimento. Fernanda Torres escreveu o roteiro em 2012.

O filme só foi rodado em 2016. “Ela mesma diz que nessa época o cinema brasileiro estava muito voltado para comédias ou cinema muito realista, estava faltando esse gênero.

Vários dos suspenses de agora foram gestados nessa época”, conta Carol. Para a atriz, isso é um "ótimo sinal". "Indica que estamos abrindo um leque, para mostrar que o cinema brasileiro pode ir muito além das comédias e filmes sociais."