Livro desmistifica a ditadura brasileira, narrando a história desse período

Um livro fundamental para quem quer entender as peculiaridades da ditadura brasileira Com seu estilo coloquial, direto e despojado

Um livro fundamental para quem quer entender as peculiaridades da ditadura brasileira Com seu estilo coloquial, direto e despojado, e após polemizar em torno do comportamento do Poder Judiciário e do escândalo político no livro Mensalão, Marco Antonio Villa desmistifica a ditadura brasileira, tanto em sua duração como em seus efeitos.

Em  Ditadura À Brasileira: 1964 - 1985 - A democracia golpeada à esquerda e à direita (Ed. Leya Brasil, 432 páginas), narra a história desse período de maneira simples e objetiva, com o intuito de ser claro e transparente. Já afirmou que "é rotineira a associação do regime militar brasileiro com as ditaduras do Cone Sul (Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai).

Nada mais falso. Enquanto a ditadura argentina fechou cursos universitários, privatizou e desindustrializou a economia, no Brasil ocorreu justamente o contrário".

Os governos militares industrializaram o país, modernizaram a infraestrutura, romperam os pontos de estrangulamento e criaram as condições para o salto recente do Brasil". Sem se omitir quanto aos excessos que levaram à perseguição, tortura e morte no período entre o final de 1968 e 1979, para Marco Antonio Villa, porém, "o regime militar brasileiro não foi uma ditadura de 21 anos.

"Não é possível chamar de ditadura o período 1964-1968 (até o AI-5), com toda a movimentação político-cultural.

Muito menos os anos 1979-1985, com a aprovação da Lei de Anistia e as eleições para os governos estaduais em 1982", afirma.

Mordaz, o autor de Ditadura À Brasileira: 1964 - 1985 - A democracia golpeada à esquerda e à direita diz que o panorama intelectual brasileiro é desalentador: "Com a redemocratização, os intelectuais foram se afastando.

Contam-se nos dedos aqueles que têm uma presença ativa".

A seu ver, muitos dos que hoje se dizem justiceiros do regime militar, naquela época, "estranhamente, omitiram-se quando colegas foram aposentados compulsoriamente pelo AI-5, como Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, e outros, ou presos e condenados, como Caio Prado Júnior".

O autor - Marco Antonio Villa é bacharel e licenciado em História, mestre em Sociologia e doutor em História (todos pela USP). Professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), é autor de diversos livros, entre eles Mensalão: o julgamento do maior caso de corrupção da história política brasileira (LeYa, 2012) e A história das constituições brasileiras: 200 anos de luta contra o arbítrio (LeYa, 2011).