Seminário esclarece sobre o uso terapêutico e acesso à substância

Derivado da maconha tem lista vasta de benefícios e Anvisa concede aprovação com receita médica

Foto: Diogo Motta Jr

 

Nesse sábado (23) 720 inscritos passaram pelo 1º Seminário de Cannabis Medicinal em Marília. As palestras aconteceram durante todo dia, em especial nas áreas de Direito e Saúde. Entidades ligadas ao tema participaram, conferindo credibilidade à substância, que vem ganhando espaço entre médicos e pacientes por sua ampla atribuição.

A cannabis é utilizada como tratamento terapêutico de uma gama de doenças.

O evento foi gratuito e os inscritos tiveram autonomia para participar o dia todo ou apenas das palestras que lhes causaram maior interesse. Uma oportunidade de compreender porque a planta cannabis sativa (popularmente maconha), até então conhecida apenas como entorpecente, tem ganhado tanto espaço em Saúde.

A cannabis medicinal é preparada sem efeito psicoativo, através da extração de uma substância da planta que funciona como um regulador do organismo, atuando na homeostase (estabilidade orgânica para realização de das funções adequadamente).

O tratamento terapêutico com a cannabis medicinal tem sido utilizado em uma série de doenças, como Parkinson, Alzheimer, epilepsia, autismo, esquizofrenia, convulsões, fibromialgia, neuropatia, esclerose múltipla, Doença de Chron, artrite, câncer, anorexia, endometriose, depressão, estresse, enxaqueca, Aids, Síndrome de Dravet e dor crônica, entre outras.

Embora não tenha o registro da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprova o uso da cannabis, desde que o paciente tenha receita médica.

Entre os estandes presentes, estava a nova entidade Kanamed, de Atibaia, que veio a Marília ajudar na orientação sobre a cannabis medicinal. Em funcionamento há quatro meses, o objetivo é facilitar o caminho até a aprovação da Anvisa e a aquisição do medicamento.

O fundador, Rodolfo Rosato, explicou que a autorização pode ser solicitada pelo próprio paciente ou responsável no site do governo federal (www.gov.br).

“Na primeira página já tem o link de importação da cannabis. A aprovação da Anvisa leva 60 dias e é válida por um ano, quando deve ser renovada, se necessário. Porém, é preciso seguir todos os passos solicitados pelo governo e apresentar as documentações necessárias”.

Entre os documentos são necessários receituário médico, laudo médico, dados do médico, documentos pessoais do paciente e declaração assinada pelo médico e pelo paciente (ou responsável) de que entende que a cannabis medicinal não tem o registro da Anvisa.

“No nosso site temos a lista de médicos prescritores da cannabis no Brasil inteiro e estamos disponíveis para o acesso da população, na orientação de tudo que é necessário para conseguir a cannabis medicinal”, salientou Rodolfo Rosato. Os telefones da Kanamed são (11) 4858-6262 e (11) 98287-9332 (whatsapp). O site é www.kanamed.com.br.

Associação Canábica em Marília

O seminário foi uma realização da Defensoria Pública e da Associação Anjos Guerreiros, que fundou, dentro da entidade (voltada a crianças com deficiência), a Maléli (Associação Canábica em Defesa da Vida).

Segundo uma das voluntárias da Maléli, Silvia Helena Almeida, a cannabis medicinal ganhou tanto espaço que foi necessário ter uma representação específica para orientação da população em Marília. A associação está nas redes sociais.