Editorial

                  Escritório do crime

 

O País amanheceu de luto, triste pela imperiosa descrença na principal corte de (in)justiça e com a certeza de que virão tempos piores, tempestades, furacões com a explosão do vulcão da corrupção. Ministros do Supremo Tribunal Federal (seis deles) acabam de enterrar um punhal no peito da justiça em nome da defesa de criminosos, principalmente os abastados, que têm a dinheirama da corrupção para pagar caros advogados e prorrogar at eternum os recursos que entulham as gavetas das instâncias judiciais e levam anos, décadas para serem analisados.

A decisão frustrante e lastimável da corte, sob a regência do mariliense José Antônio Dias Toffoli teve repercussão fantástica por todo o País, com as redes sociais bombando em críticas violentas, ofensivas desde a noite de quinta-feira. Mas os togados do escritório do crime não estão nem aí com a reação da população e possíveis desfechos com manifestações pelo país afora. Certamente, já tinham nos baldes com gelo champanhe francês para nababesca comemoração pelo “grande feito” da fatídica noite de 7 de outubro de 2.019. Afinal de contas, os ministros/advogados cumpriram à risca a determinação de atrapalhar a operação Lava Jato e colocar nas ruas milhares de criminosos já condenados em segunda instância, como é normal nos países desenvolvidos (alguns já com prisão em primeira instância). Mas por aqui vale a criação de corruptos de estimação! É sempre bom lembrar que pairam dúvidas e suspeitas sobre vários ministros, cujas investigações, principalmente da Receita Federal, foram barradas pela corte, corporativamente.

O Supremo Tribunal Federal tem agido feito biruta de aeroporto desde 2.009, com mudanças absurdas na legislação sobre a prisão de condenados. Ministros birutas oram votam de um jeito, ora de outro, conforme os interesses dos corruptos. E não há como negar a violenta influência da prisão do criminoso mais famoso do País, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre as cabeças ocas de alguns ministros que agem como advogados em plena corte, transformando o STF no escritório do crime.

A decisão ratificada pelo ministro Dias Toffoli em favor da corrupção foi tão espúria que mexeu até mesmo com os pregões do dólar na manhã de ontem, com altas sucessivas. Tudo por causa da instabilidade da justiça e as incertezas que cercam o Brasil, afetando profundamente a política.

A revolta tem sido muito grande e não faltam críticas, como a do ponderado e sábio ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso. Ele lamentou a decisão tomada pela Corte de proibir o encarceramento de réus após condenação em segunda instância.

Para Velloso, que presidiu a Corte de 1999 a 2001, o ministro Toffoli estava “diante de duas interpretações pelo menos razoáveis”. Contudo, ele acredita que a decisão não foi acertada e que “o pano de fundo desse teatro do absurdo é a presunção de inocência interpretada isoladamente e de forma absoluta”.

“Eu optaria por aquela interpretação que melhor serve aos interesses nacionais e aos interesses de combate à corrupção. Essa corrupção endêmica, esse conúbio adúltero entre poder econômico corrompido e poder político corrompido. Então, eu ficaria com aquela interpretação que justificasse e tornasse melhor o combate a essa corrupção, que é a prisão após o segundo grau, como ocorre nos países de primeiro mundo, na maioria dos países civilizados”, afirmou o ex-ministro do STF.

Em seu voto, há mais de duas semanas, o ministro Luiz Roberto Barroso, já tinha alertado para as decisões em favor de criminosos ricos, principalmente os políticos e empresários investigados e condenados pela operação Lava Jato.

A decisão dos ministros Marco Aurélio, Rosa Weber, Celso de Mello Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, é sem dúvida, a maior derrota da Lava Jato e do combate à corrupção. Portanto, eles ficam sob suspeição e merecem o repúdio e asco da sociedade brasileira. Eles entraram para a história, pela porta dos fundos! Ressalte-se a sobriedade, decência e coerência dos ministros Luiz Roberto Barroso, Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Cármen Lúcia, que não foram derrotados, mas sim a sociedade.