Famema realiza 1º implante coclear bilateral

O paciente é uma criança de três anos de idade, do Acre

 

Referência em implantes cocleares (auditivos) desde 2012 pelo SUS, a Famema realizou o primeiro implante coclear bilateral. O paciente é uma criança de três anos de idade, do Acre. O Dia do Médico, ontem (18 de outubro) foi marcado por essa comemoração na Faculdade de Medicina de Marília, em especial na disciplina de otorrinolaringologia, que é a responsável.

Ao todo a faculdade já realizou 85 implantes cocleares em crianças e adultos, todos no HMI (Hospital Materno Infantil), onde todo aparato necessário está montado. Desses, um foi bilateral, feito pela primeira vez na instituição na última quinta-feira (17). O que se deve ao aperfeiçoamento da equipe. O procedimento levou três horas e foi considerado um sucesso.

“Vemos a realização do implante coclear bilateral como um avanço significativo na qualidade de atendimento prestado à população pela Faculdade de Medicina de Marília. O resultado de sucesso dessa cirurgia devemos ao trabalho médico qualificado e a toda equipe de profissionais envolvidos.

Foi um grande motivo de comemoração nesse Dia do Médico; um presente para a população e para o corpo médico da Famema, que faz o seu melhor tendo sempre o paciente como objetivo”, disse o diretor geral da Famema, Valdeir Fagundes de Queiroz.

O médico responsável pelo implante coclear na Faculdade de Medicina de Marília é o otorrinolaringologista Alfredo Rafael Dell’Aringa, docente desta disciplina na instituição acadêmica. Para solicitar o credenciamento do implante bilateral no SUS, ele teve que passar por uma especialização em Campinas, junto com outro médico de fora, voluntário na equipe e com as duas fonoaudiólogas que também integram o trabalho.

A equipe ainda conta com neurologista infantil, psicóloga, assistente social e geneticista.

O credenciamento saiu em 2014, mas somente agora a disciplina de otorrino da Famema concretizou o ideal de contribuir com pacientes SUS para a colocação do implante bilateral.

“Cada implante coclear ligado (sempre um mês após a colocação), é uma nova emoção, sejam pacientes adultos ou crianças, que nunca tinham ouvido ou que voltam a ouvir. No entanto, o implante coclear bilateral aumenta o resultado auditivo pelo estímulo mais rápido do nervo auditivo de ambos os lados”, considerou Alfredo Dell’Aringa.

O menino de três anos de idade que veio do Acre para a cirurgia está em acompanhamento hospitalar e em um mês terá seu implante coclear bilateral ligado. O que é feito gradativa, tudo por computador. Ele ainda terá um acompanhamento mais espaçado por um tempo e depois passa por terapia fonoaudiológica e psicológica em sua cidade.

“Essa criança nasceu ouvindo, mas uma meningite o levou a surdez por mais de um ano. Após a ligação do implante ele terá que reaprender a ouvir e aprender a falar. O desenvolvimento de cada paciente é imprevisível. O implante corresponde a 50% do tratamento. A outra metade depende das terapias, do paciente e até dos familiares e sociedade”.

A Famema também tem o credenciamento para as próteses ancoradas no osso, que atendem pacientes com perda auditiva mais leve que não têm indicação nem para o aparelho, nem para o implante.

 

Fotos: Edio Junior