Editorial

 

            Política demais, governo de menos!

 

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) continua no olho do furacão, mesmo porque ele não consegue ficar quieto na cadeira presidencial do Palácio do Planalto, cuidando de projetos de interesses da população. Língua afiada, Bolsonaro está sempre metido em confusão até mesmo dentro do próprio partido, que conseguiu formar a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados e agora começa a se desmilinguir.

Na verdade, Jair Bolsonaro é um presidente sem partido, porque nunca deu o menor valor a isso, já tendo mudado de legenda várias vezes. Só está no PSL porque é necessário estar filiado a um partido para disputar uma eleição, mas já mira a mudança novamente e não faltam convites, de olho da disputa pela reeleição em 2.022.

A guerra de listas que envolveu a disputa pela liderança do PSL na Câmara dos Deputados expôs o racha no partido. A crise, que vem se alastrando na esteira das denúncias sobre o esquema de candidaturas laranjas nas eleições de 2018, ganhou proporções ainda maiores quando foi revelado um áudio do deputado Delegado Waldir (GO) chamando Jair Bolsonaro de "vagabundo". Bolsonaro, por sua vez, ameaça deixar a legenda e mede forças com o presidente da sigla, o deputado Luciano Bivar (PE) - que está envolvido em esquema de laranjas em Pernambuco. Bolsonaro fez de tudo para tirar o Delegado Waldir da liderança do partido na Câmara dos Deputados e colocar o filho dele, Eduardo, mas não conseguiu.

O presidente sofreu duas importantes derrotas na quinta-feira, em meio à crise deflagrada entre ele e o presidente nacional do PSL, o deputado Luciano Bivar. A primeira derrota foi a permanência do deputado Delegado Waldir como líder do PSL na Câmara. Um dia antes, com a ajuda de Bolsonaro, aliados do Palácio do Planalto tentaram destituir Waldir do cargo e substituí-lo pelo deputado Eduardo Bolsonaro.

Em outro capítulo da guerra aberta no PSL, Bivar decidiu destituir Eduardo e o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente, dos comandos da legenda em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente. Outra aliada de Bolsonaro, a deputada Bia Kicis também foi removida da presidência do PSL do Distrito Federal.

O estrago na imagem do governo tem sido grande. A política tem prevalecido e o presidente vem sofrendo desgaste necessário, inclusive com críticas a vários ministros. Enquanto isso, propostas importantes continuam patinando no Congresso Nacional, prejudicando o desenvolvimento do País. E pensar que são menos de dez meses de governo! O pior está por vir!

 

 

 

 

 

COLUNA 2

 

Desgaste

 

Na Câmara e no Senado a avaliação é a de que o racha entre Bolsonaro e o presidente nacional do PSL, deputado Luciano Bivar, tem potencial para respingar na agenda do governo no Legislativo. Para líderes partidários, ainda não é possível dimensionar o tamanho do impacto na interlocução do Palácio do Planalto com o Congresso, mas o sentimento geral é de que, com a nova mudança nos quadros da articulação política, o governo terá de reconstruir o diálogo com deputados e senadores.

 

Fala muito!

 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) chama o governo de Jair Bolsonaro de atrasado, reacionário, antiquado e anacrônico. Ao mesmo tempo, afirma que é cedo para julgar seu desempenho e diz que as instituições brasileiras não sofreram abalo desde sua eleição, há um ano. Ao comparar a transição de poder com Lula em 2002, considerada exemplo de civilidade, ao clima atual de polarização no país, afirma que o presidente deveria agir para baixar a tensão, o oposto do que vem fazendo.

 

Cara de pau

 

O ex-presidente Michel Temer (MDB) celebrou a absolvição sumária da acusação de obstrução de Justiça gerada pela gravação de Joesley Batista, mas indicou que a história ainda não acabou. “Essa irresponsabilidade quase paralisou o país. Não podem ficar impunes”, disse. A gravação mostra Temer falando: “tem que manter isso, viu!”, sobre Joesley continuar dando dinheiro para “calar” o ex-deputado Eduardo Cunha e o doleiro Dilson Funaro.

 

Culpa do STF

 

A ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça, pediu desculpas às pessoas que moram em barracos e aguardam indenização pela queda, em Pernambuco e Santa Catarina, de imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida. “Há três anos estamos tentando julgar esses processos, mas não conseguimos. Eles merecem uma explicação, e a explicação é essa: nós estamos nos sujeitando à ordem que veio do Supremo, que mandou paralisar”, disse Andrighi. Que vergonha!

 

Tentou disfarçar

 

O julgamento sobre a constitucionalidade da prisão de condenados em segunda instância começou na quinta-feira (17) com uma tentativa do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, de dissociar o debate do caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele não fica nem vermelho! Afinal, é “petista roxo”!

 

Perguntinha

 

Não vão avisar Toffoli, Lewandowski e Gilmar Mendes que o Lula já disse que não quer sair mordomia de Curitiba?