Defesa Civil emite alerta por forte onda de calor

O inverno nem acabou e o forte calor levou a Defesa Civil a emitir um alerta de prevenção

O inverno nem acabou e o forte calor levou a Defesa Civil a emitir um alerta de prevenção.

 

A recomendação médica é reforçar a hidratação com água, soro nasal e toalhas molhadas no ambiente.

 

A temperatura subiu de forma atípica nesta época do ano para essa região do estado de São Paulo. A falta de chuvas agrava o clima.

 

Uma grande massa de ar seco cobre o interior do país. O bloqueio atmosférico ainda eleva as temperaturas. O alerta da Defesa Civil do estado de São Paulo atenta principalmente para as regiões de Marília, Ribeirão Preto, Araçatuba, Presidente Prudente e Barretos, com 35° a 38° graus.

 

A previsão para Marília ainda é de tempo seco e quente até o fim da próxima semana. O alerta inclui ainda mais 12 regiões, abrangendo quase todo estado, com temperatura de até 35°, entre elas a de Bauru. A onda de calor excessivo e a falta de chuvas gera uma combinação de risco para os problemas respiratórios, transmissões virais, quedas de pressão arterial e também problemas gastrointestinais. Crianças e idosos costumam ser mais sensíveis a essas mudanças bruscas de clima.

 

O médico otorrinolaringologista Alfredo Rafael Dell’Aringa mencionou o cuidado à exposição solar e lembrou a necessidade de filtro solar mesmo em horários mais amenos. No entanto, também alertou para o uso de ar condicionado.

 

O aparelho ressaca ainda mais o ar e é utilizado com os ambientes fechados, o que aumenta o risco de transmissão viral e piora a sensação térmica ao se expor à temperatura real.

 

“O alerta da Defesa Civil é plausível. A temperatura subiu de forma abrupta e ainda estamos no inverno. O clima está fora de contexto, é uma fase incomum, totalmente excepcional”, disse o médico.

 

A manicure Maria da Costa teve dor de cabeça e se sentiu mais cansada essa semana. Para proteger o filho de apenas cinco meses ela reforçou a oferta de água, banho e tem deixado o bebê bem à vontade, com pouca roupa e opções bem leves de algodão. “Noto que ele está mais impaciente”.

 

A salgadeira Rosa Montagnon está de férias, mas contou que habitualmente já lida com o forte calor na cozinha da empresa onde trabalha. “Tomo muita água para compensar a perda de líquido. Mas o problema agora é que está muito seco também, então a pele resseca muito e o nariz fica entupido”.

 

Orientação médica

 

O otorrino aconselha a ingestão de mais líquidos mesmo e acrescenta o uso de soro fisiológico nasal (além de higiene nasal) para umidificar as vias respiratórias. Segundo ele, o sistema respiratório é basicamente mucosa com cílios, que têm a função de eliminar possíveis invasores. Com o clima seco, esses pelinhos sofrem, e vírus e bactérias entram com mais facilidade no nosso corpo. O soro ajuda a lavar a região e manter a umidade, é de uso livre, podendo ser aplicado várias vezes ao dia. “A pessoa engole o soro junto com os vírus, eliminando-os das vias respiratórias”.

 

Nos últimos dias, 70% do movimento no consultório do médico têm tido relação com o clima seco. “Minha preocupação é com os pacientes que não buscam avaliação médica e começam a se automedicar, fazendo uso de antibiótico, muitas vezes sem que o caso tivesse indicação para isso. A medida cria uma resistência perigosa para o futuro”.

 

O otorrinolaringologista indica a ventilação e a umidificação dos ambientes. Segundo ele, o clima seco deixa vírus e bactérias em suspensão e os ambientes fechados são mais perigosos à transmissão.

 

Dell’Aringa citou que os umidificadores de ambiente, a noite toda ligados e em quartos fechados, podem elevar demais a umidade do ar e causar proliferação de fungos. “É melhor usar toalhas molhadas ou uma bacia de água e alguma ventilação”.

 

O médico alertou para nunca tossir ou espirrar nas mãos, e sim colocando o braço em frente ao rosto. Além disso, as mãos precisam ser lavadas frequentemente por serem os veículos de vírus e bactérias para as portas de entrada do organismo, nariz, olhos e boca.

 

A ingestão de água e alimentação de qualidade ajuda a estabilizar o organismo e a pressão arterial, que tende a cair com o calor. E deve-se ter um cuidado extra com os alimentos fora, que estragam mais rapidamente com altas temperaturas.