Santa Casa reduz recusa de doação de 70% pra 40%

Maior desafio mundial ainda é a negativa familiar por desconhecer a vontade de quem faleceu

A Santa Casa de Misericórdia intensificou as ações para reduzir a negativa familiar para a doação de órgãos.

 

Neste Setembro Verde, movimento de conscientização sobre o tema, o hospital lembra que a recusa já chegou a 70%, mas vem caindo, especialmente nos últimos cinco anos.

 

Hoje está em 40%.

 

A não concordância da família é um desafio mundial quando o assunto é transplante.

 

E, na maioria das vezes, está associada ao desconhecimento sobre a vontade de quem faleceu.

 

Daí a importância de se falar no assunto e divulgar, em vida, a intenção de ser um doador de órgãos.


A medula óssea, o rim e parte do fígado são órgãos passíveis de serem doados em vida.

 

Quanto aos demais, só é possível fazer a doação após o óbito.

 

E, exceto pelas córneas, todos os órgãos só podem ser doados em caso de morte encefálica e desde que atenda a uma extensa lista padronizada de critérios de segurança para o receptor.

 

Como exemplo, pessoas que venham a falecer antes dos dois anos e após os 70 anos de idade não podem ser doadoras. 


Por conta desses critérios rígidos, mas essenciais ao sucesso do transplante, são poucos órgãos disponíveis e uma extensa lista de pacientes na fila nacional de espera.

 

E essa “fila” não é por ordem de inclusão.

 

Os principais critérios do registro nacional são gravidade e compatibilidade.


Como os números entre pacientes e órgãos não é compatível, cada doador em potencial é fundamental para salvar vidas e a Santa Casa tem intensificado as ações para reduzir as negativas familiares.

 

O trabalho é desenvolvido pela Cihdott (Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante).


“O problema de recusa familiar é mundial e está fortemente ligado ao desconhecimento das famílias sobre a vontade ou não de quem faleceu, sobre ser um doador de órgãos. Além do estado emocional em que se encontram”, mencionou a enfermeira Marisa Regina Stradioto.

 

Ela coordena a Cihdott junto com o médico Luiz Henrique Stefano.


A Cihdott tem estado mais presente na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), criando um vínculo com as famílias.

 

Processo que conta com um profissional de psicologia, inserido na Cihdott há um ano.

 

A aproximação apoia os familiares em sofrimento e favorece a abordagem correta quando e se necessário (situações em que a avaliação, após a morte encefálica, indica uma possível doação de órgãos).


A ação tem funcionado na redução da recusa, mas Marisa Stradioto frisou que falar sobre doação de órgãos na sociedade é fundamental.

 

“O Setembro Verde é um movimento que tem esse objetivo. É muito importante que as pessoas expressem a intenção de serem doadoras”.


Nesse assunto não importa a maioridade porque, sendo maior ou menor de idade, caberá a família a decisão final.

 

E a enfermeira mencionou que os jovens costumam ser bem receptivos ao assunto.

 

“Seus familiares, cientes disso, dificilmente irão contrariar essa vontade diante de um falecimento”.

 

 

Por Caroline Godoy