O Vulto das Torres

Quando achávamos que o fim da Guerra Fria marcava o "fim da história" e a humanidade enfim viveria em paz, o atentado terrorista de 11/9 - o maior de todos os tempos - mergulhava o mundo em perplexidade.

 

 O Vulto das Torres)

Quando achávamos que o fim da Guerra Fria marcava o "fim da história" e a humanidade enfim viveria em paz, o atentado terrorista de 11/9 - o maior de todos os tempos - mergulhava o mundo em perplexidade.

De repente, tomamos conhecimento de entidades e personagens até então desconhecidos: a Al-Qaeda, Osama bin Laden, os campos de treinamento de terroristas no Afeganistão.

Mas o que é a Al-Qaeda? Como surgiu? Aonde pretende chegar? Qual sua ideologia? Qual o papel dos serviços de inteligência americanos no caso? São estas perguntas que Lawrence Wright, através de um monumental trabalho de jornalismo investigativo (cinco anos de pesquisas e centenas de entrevistas no Oriente Médio, África, Europa e Estados Unidos), procura esclarecer neste livro exemplar, "O Vulto das Torres - A Al-Qaeda e o caminho até o 11/9 (Editora Companhia das Letras, 528 páginas).

 

 (Globalização, democracia e terrorismo)

Autor do clássico Era dos extremos e louvado mundialmente como um dos maiores historiadores vivos, Eric Hobsbawm apresenta em "Globalização, democracia e terrorismo" ((Editora Companhia das Letras, 184 páginas) uma coletânea de dez palestras e conferências em que faz um balanço dos principais temas da política internacional dos nossos dias.

Embora trate de um amplo conjunto de assuntos - imperialismo, nacionalismo e hegemonia, guerra e paz, ordem pública e disponibilidade de armas, o poder da mídia, mercado e democracia, além de futebol e cultura contemporânea - a obra tem forte unidade temática, centrada na análise da situação mundial no início do novo milênio e dos problemas mais agudos que nos confrontam.

Longe de ser um "otimista", Hobsbawm mostra-se crítico com relação às tendências que prevalecem no mundo de hoje.

 Considera "remotas" as perspectivas de uma paz mundial sólida no século XXI; ressalta o forte crescimento das desigualdades econômicas e sociais e dos desequilíbrios ambientais e políticos trazidos pela globalização baseada no conceito do mercado livre; e não poupa críticas à atuação do governo americano, tanto do ponto de vista econômico-financeiro quanto do político-militar.

"Houve um tempo em que o império americano reconhecia a existência de limitações, ou pelo menos a conveniência de comportar-se como se tivesse limitações.

 Isso se devia basicamente ao fato de que tinha medo de alguém mais - a União Soviética.

Na ausência desse tipo de medo, é preciso que o interesse próprio esclarecido e a cultura tomem o seu lugar", sentencia Hobsbawm.

Com o ar crítico e ousado que caracteriza seus estudos, Hobsbawm classifica a democracia como "uma vaca sagrada que dá pouco leite", e sem perder o estilo, a leveza e o bom humor diz que "enfrentamos o terceiro milênio como o irlandês anônimo, que perguntado sobre o caminho para Ballynahinch, refletiu e disse: 'Se eu fosse você, não começaria por aqui'."