Escancarada corrupção

O casal Garotinho foi preso ontem junto com outras três pessoas e são suspeitos de participação em um esquema de superfaturamento em contratos celebrados entre a Prefeitura de Campos e a construtora Odebrecht.

 

É a quarta vez que o ex-governador Anthony Garotinho é preso - e a segunda da mulher dele, Rosinha.

 

Em acordo de colaboração dentro da Operação Lava Jato, os denunciados Leandro Andrade Azevedo e Benedicto Barbosa da Silva Junior deram detalhes do esquema.

 

Com base nas delações, o Ministério Público Federal diz ter constatado superfaturamento de R$ 29.197.561,07 no Morar Feliz I e de R$ 33.368.648,18 no Morar Feliz II.

 

Somadas, as licitações ultrapassaram o valor de R$ 1 bilhão.


O casal é suspeito de ter superfaturado contratos celebrados entre a Prefeitura de Campos dos Goytacazes e a construtora Odebrecht durante os dois mandatos de Rosinha como prefeita (2009-2016).


Os pedidos de prisão e de busca e apreensão foram acatados pelo Juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goytacazes.

 

Com as prisões, Garotinho e Rosinha se juntam a Sergio Cabral e Luiz Fernando Pezão no rol de ex-governadores fluminenses que se encontram detidos.


Ou seja, dá para se ter uma ideia dos desmandos no Estado do Rio de Janeiro, onde se formou uma imensa quadrilha, a ponto do ex-governador Sérgio Cabral já ter condenações que ultrapassam 200 anos de cadeia.

 

A mulher dele, Adriana de Lourdes Ancelmo, também já foi presa, mas foi beneficiada por decisão do “boníssimo” ministro Gilmar Mendes.


Com escancarada corrupção que afeta grande número de políticos pelo país afora, fica evidente a irrefutável importância da operação Lava Jato, que ministros do Supremo Tribunal Federal insistem em criticar e fazer de tudo para atrapalhar.

 

Isso sem falar de inúmeros presos entre políticos e empresários que já foram soltos (alguns até mais de uma vez) pelos dedicados ministros que têm corruptos de estimação. 


Na verdade, além da blindagem própria deles, os togados da corte querem proteger os tubarões da corrupção, deixando inclusive apodrecer inquéritos nas gavetas que afetam diretamente senadores e deputados.

 

Fica evidente um corporativismo numa verdadeira troca de gentilezas.

 

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (MDB) já teve dois inquéritos arquivados no Supremo Tribunal Federal pela ministra Rosa Weber no final de julho.

 

De outro lado, o presidente do Senado engaveta dezenas de pedidos de impeachment de ministros, principalmente contra Gilmar Mendes e Dias Toffoli. 


As prisões de Anthony e Rosinha Garotinho ontem no Rio de Janeiro é uma prova da escandalosa corrupção espalhada por todos os cantos e ressalta a importância da operação Lava Jato, principalmente com as delações premiadas.

 

É inaceitável que a mais alta instituição da justiça continue boicotando a Lava Jato (talvez com medo de que a qualquer momento ela possa atingir em cheio ministros do STF) e fazendo de tudo para anular processos (como fez a Segunda Turma no caso do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendini) e colocar bandidos na rua.

 

O próximo objetivo é soltar o criminoso condenado em terceira instância, Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Aliás, já condenado também em outro processo (sítio de Atibaia) que está no Tribunal Regional Federal para decisão em segunda instância, que deverá sair até o final de outubro.


Não será estranho se nos próximos dias um desses ministros bonzinhos emitir habeas corpus para os corruptos ex-governadores presos Anthony e Rosinha Garotinho.

 

O que é uma vergonha!