O buraco é mais embaixo!

“Era uma vez um país onde bandidos se aproveitavam da bonança para roubar, causando prejuízos bilionários aos cofres públicos, até que eles eram descobertos. Então eles mudavam as leis para punir aqueles que os descobriram, aprovavam reformas econômicas e voltavam a roubar em paz”. (Felipe Moura Brasil, jornalista).


Quem não se lembra das lágrimas de crocodilo do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) quando da aprovação em plenário da reforma da Previdência Social?

 

Pois é, o dublê do Nhonho, se achava naquela hora o maior herói do Brasil, como se a aprovação tenha dependido apenas dele e mais ninguém.

 

Como ele gosta de pensar, o resto (incluindo o presidente da República, Jair Bolsonaro, senadores, deputados), são apenas coadjuvantes.


Na verdade, Rodrigo Maia (que aparece na deleção do empresário Rodrigo Constantino, dono da GOL por ter recebido propina) é um mau caráter que se faz de vítima e manipula como bem entende a Câmara dos Deputados, sempre com armações políticas na calada da noite e também às escondidas em finais de semana em sua mansão à beira do Lago Paranoá, onde recebe autoridades (suspeitas) para tramar os benefícios que podem vir para ele e seus corruptos de estimação, sejam parlamentares da Câmara e do Senado, empresários e também autoridades do alto escalão de Brasília.


Como é que de repente Rodrigo Maia, com a maior cara de pau, coloca em votação um projeto escabroso e escancaradamente em defesa de bandidos vindo do Senado?

 

Vindo de um senador corrupto, Renan Calheiros (MDB) que tem onze inquéritos engavetados no Supremo Tribunal Federal, onde ministros fazem vistas grossas?


Pior: A Câmara dos Deputados aprovou covardemente o texto-base da lei de “abuso” de autoridade em votação simbólica: sem registro de quais deputados votaram a favor da punição de procuradores e juízes que ousam combater a corrupção de políticos.

 

Rodrigo Maia, também conhecido como “Botafogo” na planilha de propina da Odebrecht, comandou a blindagem.

 

Por que esconder os nomes de quem é a favor de barrar ações da justiça para defender corruptos?


Mas não pensem que o Nhonho agiu sozinho.

 

Isso faz parte de um plano diabólico que envolve todos que são contra a operação Lava Jato, principalmente ministros do Supremo Tribunal Federal.

 

Não se esqueçam de que Gilmar Mendes já declarou em alto e bom som que a Lava Jato é uma quadrilha.

 

O magistrado diz que faltou experiência por parte dos procuradores e que condutas de integrantes da Lava-Jato evidenciam a existência de uma “Orcrim”.

 

“Há uma organização criminosa para investigar pessoas”.

 

Mas não foi por acaso!


O Supremo Tribunal Federal está no centro de uma turbulência que atinge os poderes.

 

Diálogos trocados entre o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato no Paraná, e outros integrantes do Ministério Público Federal indicam a origem de uma investigação informal contra o presidente da Corte, Dias Toffoli, e o ministro Gilmar Mendes a partir de familiares.


Existe inclusive uma ofensiva inconstitucional por parte do presidente do STF, Dias Toffoli, para barrar qualquer investigação sobre os ministros.

 

A partir daí se deduz que o buraco é bem mais embaixo e que a aprovação a toque de caixa do projeto para punir suposto abuso de autoridade com o dedo de Rodrigo Maia, foi uma combinação vampiresca de bastidores para intimidar juízes, promotores, delegados e policiais civis e militares.

 

O negócio agora é defender bandidos e prender autoridades!


É a mesma tática usada na Itália contra a operação Mãos Limpas.

 

"Pressionada e acuada, a força-tarefa do Ministério Público de Milão, que ao longo de dois anos e dez meses havia investigado e condenado o mais alto escalão da política e do empresariado, foi desmembrada.

 

Nos meses e anos seguintes, governo e parlamento italiano promoveram um verdadeiro movimento de restauração, aprovando leis para proteger a classe política e tornando as investigações da magistratura mais difíceis.


O paralelo com a Lava Jato é evidente.

 

A operação, iniciada em 2014 pelo Ministério Público Federal do Paraná, revelou o conluio entre os políticos e as maiores empreiteiras do país, todos os ex-presidentes vivos foram presos ou investigados.

 

E fica muito claro a saga de ministros do STF para libertar o criminoso condenado em terceira instância, Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Agora, eles têm mais força, com a nova lei aprovada na calada da noite com a preciosa ajuda de Rodrigo Maia, que também se beneficia por ser investigado na Lava Jato.

 

É a desmoralização total das instituições!