Medidor da rede básica mostra quatro resultados diferentes em dois minutos

Willian gravou um vídeo para confirmar as falhas na medição

Por Carolina Godoy

 


 

O medidor de glicemia fornecido pela rede básica do Município mostrou quatro resultados diferentes em menos de dois minutos.

 

O motorista Willian Pires de Carvalho teve seu aparelho trocado pelo posto de saúde há um mês e identificou o problema logo em seguida.

 

Ele gravou um vídeo para confirmar as falhas na medição.

 

Outras duas pessoas já denunciaram a mesma situação ao Jornal da Manhã. Ambas convulsionaram pelo descontrole do diabetes. 


Willian, de 23 anos de idade, tem experiência em lidar com a doença, sendo diabético desde os três anos.

 

Há um mês, quando ele foi à unidade de saúde do Figueirinha para buscar as fitas reagentes (para medição da taxa de glicemia no sangue), foi informado que deveria levar o aparelho anterior para ser trocado.


“O glicosímetro anterior era ótimo, mas desde que peguei o atual senti um descontrole na taxa de açúcar. No começo pensei que fosse meu organismo, mas depois percebi que estavam havendo falhas na medição, e confirmei o problema com verificações seguidas”, contou o motorista.


Ele chegou a gravar um vídeo (disponível no facebook.com/jornaldamanhamarilia) em que o medidor apresenta quatro resultados diferentes em menos de dois minutos, as taxas foram 193, em seguida 207, em seguida 226 e segundos depois 223.

 

Além dele, outras pessoas reclamaram do novo glicosímetro (Easy Fy) em um grupo de whatsapp feito por pacientes diabéticos e familiares.


Dois pacientes convulsionaram por falhas na medição


No final e julho duas pessoas chegaram a convulsionar por falhas na medicação, que geraram aplicação errada de insulina pelos pacientes.


O estudante Nicolas Felipe Coelho de Araújo, de 15 anos, é diabético desde os cinco e foi a primeira vez que entrou em convulsão.

 

“O aparelho deve ter acusado uma glicemia mais alta do que realmente estava e, por conta disso, ele aplicou insulina a mais do que precisava, entrando em hipoglicemia”, contou o pai do adolescente, Luís Eduardo de Araújo.


A estudante Laura Laprechia Pacheco Esteves, de 19 anos, teve o aparelho substituído pela UBS Cascata (Unidade Básica de Saúde) há dois meses e nesse meio tempo já teve pelo menos três quadros de hipoglicemia (baixa de açúcar no sangue).


Na madrugada do dia 25 de julho a estudante foi dormir com o aparelho acusando uma taxa de glicemia pouco superior a cem, mas durante o sono entrou em convulsão e a mãe teve que chamar o Samu para o socorro emergencial e a elevação da glicose.

 

“Minha filha é diabética desde muito pequena e sempre foi disciplinada, tendo o diabetes muito bem controlado. No entanto, o glicosímetro (aparelho de medição) acusa uma taxa e, na realidade, é outra. Agora a doença está completamente descompensada e a gente fica muito insegura”, relatou, na ocasião, a mãe da jovem, a auxiliar de escrita Cláudia Costa Pacheco Esteves.


Insegurança dos pacientes


Willian também passou mal na noite da última terça-feira e está preocupado porque mencionou que não sabe mais como controlar a doença.

 

“Quando passei mal verifiquei minha taxa de glicemia e estava em cem, caindo para 90 e para 72 em três medições seguidas. Perdi a confiança, não sei mais se como ou deixo de comer, se aplico insulina ou não e em que quantidade”.


Em função das queixas de falhas nos medidores de glicose fornecidos pelo Município, as unidades de saúde da rede básica começaram a fazer contato com os pacientes diabéticos que informaram problema com suas medições.

 

A Secretaria da Saúde informou que o objetivo era verificar os aparelhos e as tiras reagentes para rastrear o problema.

 

No entanto, segundo os pacientes não houve uma medida efetiva até o momento.


“Meu filho esteve na unidade de saúde do Nova Marília no começo da semana por conta desse aviso da Saúde, só que foi informado que o aparelho não será trocado enquanto as fitas reagentes (onde o paciente coloca a gotinha de sangue) não acabarem.

Ele ainda tem 200 fitas, e vai ter que ficar com esse glicosímetro até elas terminarem”, lamentou o pai do Nicolas.

 

O tipo de fita reagente é diferente para cada aparelho.   


Na semana passada a Secretaria da Saúde informou que a investigação do problema se dará pelo número de série dos glicosímetros (aparelhos medidores de glicemia, açúcar no sangue) e lote das tiras reagentes.

 

A Secretaria da Saúde também vai treinar o corpo clínico de Marília para o uso do sistema de monitoramento de glicemia (atualização).

 

A pasta reiterou ainda, que não está prevista a troca do aparelho, mas que a rede básica está dando “assistência caso a caso”.