As caneladas de Bolsonaro

O estilo Bolsonaro de governar é apenas uma continuidade do que foi o deputado federal, sempre falando o que bem entende e já deu mostras de que não está nem aí com a importância do cargo que ocupa atualmente: a presidência da República.

 

As caneladas continuam acontecendo, doa a quem doer.


Se alguém ainda tem dúvida se ele tem pretensão de concorrer à reeleição em 2.022, já pode desfazê-la.

 

Ele tinha a intenção de acabar com a reeleição, aumentando o mandato do presidente para cinco anos (como já aconteceu no passado).

 

Mas essa proposta ele já percebeu que não vai prosperar no Congresso Nacional.

 

Por isso, é praticamente certo que será candidato à reeleição e já se aposta diante do eleitorado fiel que ele poderá conseguir ainda mais votos do que teve na eleição passada.


Aos trancos e barrancos, Jair Bolsonaro vai levando o governo do seu jeitão bronco, destrambelhado (fala muito!).

 

Mas vai conseguindo pontos positivos como a reforma da Previdência Social e já engatilha a reforma tributária, que deverá ser anunciada na semana que vem, com mudanças fortes no sistema de impostos, principalmente o Imposto de Renda.


Nem pensem que a carga tributária do contribuinte vai diminuir.

 

Para Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, serão ajustes.

 

Ou seja, tira de um lado e coloca do outro.

 

Mas deve agradar principalmente o empresariado.


Para conseguir seus intentos o presidente Bolsonaro não mede distâncias e muito menos relacionamentos.

 

Tanto que está muito empenhado em conseguir aprovação do Senado Federal para indicação de seu filho, deputado federal Flávio Bolsonaro, para embaixador nos Estados Unidos (o Tio Sam já deu sinal verde para receber o filhão do presidente).

 

Depois de algumas caneladas com parlamentares, principalmente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), o presidente foi se acertando e hoje vive uma certa lua-de-mel de olho tanto na aprovação do nome de Eduardo para a embaixada nos Estados Unidos como da reforma da Previdência Social, já aprovada na Câmara dos Deputados, que chegou quinta-feira às mãos de Alcolumbre.

 

A previsão é de bater o martelo em 60 dias.


De outro lado, Jair Bolsonaro acabou se esquecendo da importância da chegada do ex-juiz Sérgio Moro ao governo.

 

Moro deixou o magistrado atendendo a convite expresso de Bolsonaro para o Ministério da Justiça (de olho numa possível nomeação para o STF) e chegou como homem forte do governo.

 

Mas o tempo passa e Bolsonaro deu mais uma canelada, tirando o ministro Sérgio Moro para escanteio.

 

Disse que, como juiz, Moro estava acostumado a ter a caneta na mão, mas que no papel de ministro suas decisões não podem ser unilaterais. 


"O ministro Moro é da Justiça, mas ele não tem poder de... não julga mais ninguém.

 

Então, temos que, entendo a angústia dele, em querer que o projeto dele (pacote anticrime) vá para a frente, mas nós temos que combater, diminuir o desemprego, fazer o Brasil andar, abrir o nosso comércio", disse, afirmando que a proposta do chefe da Justiça não pode atrapalhar a aprovação de projetos-chave como as reformas previdenciária e tributária.

 

Ou seja, para conseguir o que quer, Bolsonaro dá caneladas e passa o tanque de guerra por cima de quem quer que seja.

 

Até Sérgio Moro! Não se sabe até quando o ministro vai suportar a “fritura” no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal, sob as vistas grossas do presidente Jair Bolsonaro.