EDITORIAL: Tiro no pé

Em pouco mais de seis meses de governo o presidente Jair Bolsonaro (PSL) mais criou polêmicas do que governou o País.

 

Em meio às atuações junto com Congresso Nacional pelas reformas tributária e da Previdência Social, a família Bolsonaro se meteu em muitas encrencas, principalmente por declarações bombásticas do presidente e seus filhos, inclusive com postagens em redes sociais.


Infelizmente isso tem prejudicado muito a imagem do governo, apesar de ainda continuar maciço o apoio de grande parte da população nas redes sociais e nas manifestações de ruas.

 

Acontece que isso tudo pode ser minado com o passar do tempo se a família continuar insistindo nas causas polêmicas.

 

É bom lembrar de episódios negativos que poderiam simplesmente ser evitados, mesmo porque acabam ficando completamente fora do contexto e das prioridades do governo, que é de tirar o País da crise, fomentar o desenvolvimento e o emprego.


Picuinhas só atrapalham e isso mostra falta de seriedade e competência no governo.

 

Além disso, em tão pouco tempo já ocorreram mudanças demais no Palácio do Planalto e ministérios.

 

Aliás, desde a saída do ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que foi o braço direito de Bolsonaro na campanha eleitoral e ainda houve polêmica com declarações de Carlos Bolsonaro, que enfrentou Bebianno.


Outra polêmica envolveu o ex-ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, que pediu que diretores de escolas para lerem para alunos e funcionários uma carta de volta às aulas que termina com o slogan da campanha do presidente Jair Bolsonaro nas eleições: "Brasil acima de tudo. Deus acima de todos!".


No Carnaval, o presidente Jair Bolsonaro publicou em seu perfil do Twitter um vídeo que mostra uma cena pornográfica, com o intuito de "expor a verdade para a população" sobre o que estaria se tornando o carnaval no país.

 

Depois divulgou um vídeo pró-golpe de 1964 na comemoração dos 55 anos.


São tantas falas e declarações desnecessárias, mas parece que o clã Bolsonaro não se intimida e continua causando polêmicas.


O presidente criticou a cobrança de taxas para turistas no santuário ecológico de Fernando de Noronha (dinheiro que é utilizado para preservação da área).

 

Em um rápido discurso no plenário da Câmara dos Deputados, nesta segunda-feira (15), o presidente Jair Bolsonaro sinalizou que deve, sim, adotar duas medidas polêmicas aventadas por ele mesmo nas últimas semanas.


Nomear seu filho, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), embaixador do Brasil nos Estados Unidos e indicar um ministro "terrivelmente evangélico" para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

 

Ora, a indicação de um ministro para o STF só deve ocorrer no final do ano que vem, quando se aposentará Celso de Mello.

 

Então para que aventar tal assunto agora, em momento de ebulição política com votações importantes no Congresso Nacional?


Mas o pior tiro no pé vem mesmo com a insistência em colocar o filho como embaixador nos Estados Unidos.

 

Pode acontecer aí a maior derrota e também o por vexame desse governo.

 

Basta o Senado rejeitar a indicação!


A possibilidade de indicar o filho como embaixador do Brasil nos Estados Unidos é o pior erro do presidente nestes primeiros seis meses de governo.

 

Esta é a avaliação da presidente da CCJ, senadora Simone Tebet (MDB).

 

Tebet também integra como suplente a Comissão de Relações Exteriores, colegiado que sabatina e aprova ou rejeita indicações de embaixadores.

 

"A sabatina expõe demais o governo e pode dar uma fragilidade que o governo ainda não tem na Casa."


Tebet diz acreditar que, se fosse hoje, o nome de Eduardo não seria aprovado.

 

Segundo assessores, Bolsonaro está determinado a oficializar a indicação, mas, em conversas reservadas, demonstrou incômodo com a possibilidade de rejeição, o que representaria uma derrota pessoal por se tratar de seu filho.

 

Se insistir, vai ser mesmo um tiro no pé!