EDITORIAL: Previdência: contra e a favor

Passado o embate no Parlamento sobre a votação que acabou aprovando o texto base da reforma da Previdência Social surgem comemorações e lamentos; uns continua contra e outros garantem que foi necessário para salvar a economia do País.


Líder da oposição na Câmara, o deputado Alessandro Molon, do PSB (mas que também foi do PT e REDE) afirma que a parte da população favorável à reforma da Previdência ainda não compreendeu o que realmente está acontecendo.

 

E lamentou em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo: "Há ainda, eu percebo, uma espécie de anestesia na sociedade em relação a esse tema, porque acho que ainda não compreenderam. Quando compreenderem, quando as pessoas entenderem o que aconteceu, eu não tenho a menor dúvida de que essa percepção vai mudar radicalmente".


Ainda atordoado com a acachapante derrota da oposição nesta votação (379 votos a favor e 131 contra), o deputado Alessandro Molon diz que a esquerda falhou na comunicação das alternativas que defendia à reforma.

 

E que o maior desafio agora será apresentar propostas de saídas para o Brasil diante de um governo classificado por ele como "caótico".


Todo mundo sabe que este é o papel da oposição: atrapalhar ao máximo o governo de Jair Bolsonaro (PSL) de olho na eleição de 2.020 na tentativa de voltar ao Palácio do Planalto.

 

Outros embates virão e também novas derrotas para a oposição, que demonstrou não ter fôlego e nem votos para derrubar projetos importantes para o País.


De outro lado, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) ainda continua comemorando a aprovação da reforma, considerando-se o grande responsável pelo sucesso em plenário.

 

Não foi bem assim, mas ele diz que a reforma da previdência era do estado brasileiro, não do governo.

 

“Mas os projetos de interesse do governo, ou se melhora o diálogo e a relação, ou o governo não terá nenhuma chance de aprová-los. Se não melhorar a relação, uma privatização, que é uma agenda do governo, não passa. Ou o governo mostra ao seu entorno que a democracia precisa ser respeitada ou terá dificuldade”.

 

Para Maia, se Bolsonaro mantiver esse modelo de relação com o Parlamento, terá dificuldade em aprovar projetos do governo.

 

Na avaliação dele, somente propostas que interessam ao estado brasileiro, como as reformas da Previdência e a tributária, terão sucesso.

 

Contudo, parece que o presidente Bolsonaro não vai mudar o tom em relação ao Congresso Nacional e nem o ministro da Economia Paulo Guedes.

 

E as trombadas com Rodrigo Maia vão varar o ano.

 

Tudo tem motivação política antes de levar em conta o que é melhor para o País.