Último livro organizado por Euclides da Cunha ganha primorosa edição

A partir do exame das 14 edições anteriores, periódicos e manuscritos, pesquisadores resgatam questões que vão desde a destruição da Amazônia, passando pelo embate sobre a fronteira com o Peru e chegando aos debates sobre o socialismo inspirado na socialdemocracia.

A partir do exame das 14 edições anteriores, periódicos e manuscritos, pesquisadores resgatam questões que vão desde a destruição da Amazônia, passando pelo embate sobre a fronteira com o Peru e chegando aos debates sobre o socialismo inspirado na socialdemocracia.

Ao se pensar em Euclides da Cunha, boa parte - senão todas - as mentes se direcionarão de forma automática a seu grande sucesso Os Sertões. Se a obra é meritória por sua grandeza, não se pode deixá-la “eclipsar” suas demais produções. Para iluminar este caminho, a Editora Unesp lança numa edição cuidadosa e completa o último livro organizado por Euclides da Cunha: À margem da história, publicado postumamente em 1909.

Os pesquisadores Leopoldo M. Bernucci, Francisco Foot Hardman e Felipe Pereira Rissato se debruçaram sobre as 14 edições integrais do livro de Euclides da Cunha com um olhar afinado em adotar um modelo profissional de edição, limando erros tipográfcos e esclarecendo imprecisões, reproduzidos ao longo do tempo. O trabalho demandou, além do estudo minucioso das edições anteriores, o manuseio de manuscritos e periódicos.

“Surpreendentemente, ficou constatado que a maior parte das incorreções, a partir da primeira edição de À margem da história até as atuais, não havia sido reparado até os dias de hoje. Portanto, estamos seguros de que a edição que ora damos ao público é, definitivamente, a mais confiável e completa deste clássico de Euclides”, anota Francisco Foot Hardman no prefácio da obra.

O livro se divide em quatro grandes eixos e congrega ensaios sobre temas diversos da realidade nacional, como a vida dos seringueiros na Floresta Amazônica e o grave problema da disparidade socioeconômica entre sertão e litoral, que permanecem atualíssimos ainda nas primeiras décadas do século XXI. Euclides também delineia um esboço político do Brasil, “Da Independência à República”, e aborda as questões envolvendo as demarcações territoriais entre nosso país e o Peru. “É como se Euclides da Cunha, depois de tanto navegar e reconhecer, entre rios, florestas, terras firmes e caídas, depois de traçar mapas em diálogo com viajantes pretéritos e presentes, quisesse ver o intangível de uma região (...) em que a história, ele sabia, esteve presente de modo violento em toda a idade moderna”, pontua Foot Hardman.

O autor - Euclides da Cunha (1866-1909) foi escritor, jornalista, professor e poeta. Sua obra mais conhecida é Os Sertões, resultado do trabalho de correspondente para o jornal O Estado de S. Paulo na Revolta de Canudos, no sertão da Bahia. A Editora Unesp já publicou Euclides da Cunha: poesia reunida (2009) e Ensaios e inéditos (2018)