EDITORIAL: A saga de Gilmar Mendes

Muita gente tem indagado se ministros que atuam no Supremo Tribunal Federal têm condições de julgar os processos sem ter passado em concurso e exercido a profissão de juiz.

 

Vários deles nunca foram juízes (são apenas dois)!


Gilmar Mendes não é e nunca foi juiz, sendo que fez o curso de Direito em Brasília e atuou, quando muito, como procurador da República e advogado-geral da União.

 

Sempre esteve rodeando os meios políticos e também serviu a chancelaria brasileira, em Brasília e na Alemanha (onde fez o curso de mestrado).


Ele foi indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem já tinha “boa afinidade política”, em junho de 2.002.

 

Portanto, está no STF há 17 anos, já bastante tarimbado e ao longo do tempo foi demonstrando sua saga na defesa de bandidos do alto escalão, criminosos do colarinho branco, políticos e empresários corruptos.

 

A saga continua em busca da liberdade do ex-presidente criminoso e condenado em terceira instância Luiz Inácio Lula da Silva.


Saga, substantivo feminino, também era nome dado pelos romanos às bruxas e feiticeiras.

 

Seria então Gilmar Mendes um bruxo no STF?


Isso não se sabe, mas que ele gosta muito de arquitetar suas bruxarias no fervente caldeirão da corrupção isso sim. Principalmente atuando na Segunda Turma, onde tem como fiel companheiro o ministro Ricardo Lewandowski (que também não é juiz e foi nomeado pela ex-presidente Dilma Roussef, atendendo a um pedido da então mulher de Lula, Marisa Letícia).

 

E Gilmar já teve ao seu lado também o ministro Dias Toffoli (reprovado duas vezes em concurso para juiz – 1.994 e 1995).

 

Era um trio de ferro que impôs muitas derrotas (3 a 2) aos outros dois ministros da Turma.

 

Assim, Gilmar começou a sua saga contra a operação Lava Jato e também outras operações da Polícia Federal, conseguindo colocar na rua bandidões do quilate de Eike Batista, Jacob Barata Filho (o rei do ônibus no Rio de Janeiro, de cuja filha Gilmar Mendes foi padrinho no casamento e mesmo assim nunca alegou suspeição para julgar o caso); "Orlando Diniz – ex-presidente da Fecomércio do Rio de Janeiro, acusado de desviar R$ 10 milhões dos cofres públicos; Paulo Vieira de Souza (Paulo Preto) – operador do PSDB, foi preso no âmbito da Lava Jato de São Paulo e solto duas vezes por ordem de Gilmar Mendes.

 

São mais de 35 criminosos colocados na rua pelo “bondoso” ministro.


A saga de Gilmar Mendes vai inclusive além até de tentar acabar com a Lava Jato e mira, principalmente, tirar Lula da cadeia. Se isso acontecer ele vai abrir a porteira para centenas, milhares de outros presos.

 

A última tentativa de soltar Lula aconteceu esta semana na reunião da Segunda Turma e quase conseguiu.

 

Se não fosse o voto providencial do decano ministro Celso de Mello.


Mendes se aproveitou inclusive de publicações suspeitas do site The Intercept Brasil, com material criminoso conseguido por hackers que invadiram o celular do procurador Deltan Dallagnol e teriam conversas dele com o então juiz Sérgio Moro (que condenou Lula).


Sergio Moro foi acusado de orientar os procuradores da Lava Jato pelo Telegram.

 

Gilmar Mendes não poderia ser acusado de orientar o advogado de Lula, ao sacar dessa manobra de soltar Lula sem julgar o habeas corpus da suspeição de Moro?

 

Sugerir uma liminar sem que a defesa a tivesse pedido?

 

Manobra feita durante a sessão da Segunda Turma e aceita prontamente pelo advogado de Lula Cristiano Zanin?


Segundo a revista Crusoé e o site O Antagonista, ex-arquiinimigos, Lula e o ministro do STF se uniram em torno do objetivo comum de sufocar a maior operação anticorrupção do país.


A tal ponto que Gilmar passou a ser chamado pelos petistas de “o rei do PT”.

 

Para alcançar o objetivo comum, a estratégia é centrar fogo no episódio do roubo e vazamento das mensagens atribuídas a Sergio Moro e aos procuradores da Lava Jato.

 

Será que vai dar certo?

 

Os demais ministros vão “engolir” a jogadinha de Gilmar?

 

O tempo dirá!