MP ouve hospitais para eliminar sobrecarga do HC

O Ministério Público vai realizar uma audiência pública com as direções dos hospitais de Marília. O objetivo é chegar a um acordo sobre o atendimento dos usuários do SUS de Marília e região (62 municípios) para eliminar a sobrecarga no Hospital das Clínicas. Por enquanto, as instituições têm sido ouvidas separadamente. O fluxo no Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas (unidades I e II) era mais d

O Ministério Público vai realizar uma audiência pública com as direções dos hospitais de Marília. O objetivo é chegar a um acordo sobre o atendimento dos usuários do SUS de Marília e região (62 municípios) para eliminar a sobrecarga no Hospital das Clínicas. Por enquanto, as instituições têm sido ouvidas separadamente.
O fluxo no Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas (unidades I e II) era mais de 12 mil/mês. Com a restrição do serviço para média e alta complexidade, que é a sua função, o número baixou para 3.500. Esse número era o pactuado, responsabilizando as redes básicas dos municípios e os Prontos Atendimentos por atender os casos de menor complexidade.
No entanto, nos últimos anos, o fluxo voltou a subir e está em 200 pacientes/dia, cerca de seis mil/mês. De acordo com a superintendente da autarquia HC/Famema, Paloma Libânio, por um lado há o excesso de encaminhamento, geralmente por insegurança dos serviços (unidades básicas, de Saúde da Família e PAs) em subestimar a gravidade de um paciente. Por outro lado há o aumento populacional e de longevidade e é preciso mais leitos de internação para desocupar o Pronto-Socorro e liberar o serviço a receber novas urgências e emergências.
“Temos 306 leitos de internação, entre unidade I (Hospital das Clínicas) e II (Materno Infantil). No entanto, internamos acima de 100%, com os chamados leitos virtuais, que são as macas no Pronto-Socorro. Não é a condição ideal transformar maca em leito. Porém, a transformação dessa realidade depende do encaminhamento dos pacientes”, mencionou a superintendente.
O MP mencionou em torno de 55 leitos fictícios no HC, ou seja, em macas no Pronto-Socorro. “A estrutura hospitalar de Marília oferece condições à resolução desse problema antigo de superlotação no Hospital das Clínicas”, frisou o promotor de Justiça da Saúde Pública e dos Direitos Humanos, Isauro Pigozzi Filho.
A Santa Casa de Misericórdia já é uma instituição de encaminhamento dos pacientes. O Hospital Espírita de Marília está estruturando espaço físico e documentação e demonstrou interesse ao Ministério Público em ofertar leitos de retaguarda. O HBU (Hospital Beneficente Unimar) teria pelo menos 25 leitos não aproveitados pelo HC. No entanto, o HC informou ao MP que estaria esbarrando nos critérios estabelecidos pelo HBU, que teria um protocolo restrito, limitando o perfil de paciente apto a ser encaminhado.
“Recebemos a mesma quantia em recurso financeiro que os outros hospitais, mas, como somos porta de entrada SUS, quando esses hospitais atingem 100% de sua capacidade, os pacientes ficam no HC, que lida com a superlotação”, observou Paloma Libanio.
A superintendente defende que a superlotação prejudica os pacientes graves que precisam da estrutura oferecida pelo Pronto-Socorro do HC, voltada à média e alta complexidade.
O MP também ouviu o Samu, que informou que de 70 a cem pacientes atendidos por dia, perto de 30% são encaminhados ao HC. A superintendente mencionou estudo para que o Hospital das Clínicas passe a receber pacientes não mais referenciados de unidades básicas ou PAs, mas conduzidos por ambulância, para evitar recebimento de pacientes de baixa complexidade.