Quatis invadem avenida e moradores reclamam

Moradores da avenida Santa Helena, no trecho ao lado do Bosque Municipal, procuraram o Jornal da Manhã para reclamar da presença de um grande número de quatis que estão saindo do bosque em busca de comida nos sacos de lixo das lixeiras da calçada. Os quatis atravessam rapidamente a avenida e rasgam os sacos de lixo, além de correrem o risco de ser atropelados e causar acidente de trânsito. O pro

Moradores da avenida Santa Helena, no trecho ao lado do Bosque Municipal, procuraram o Jornal da Manhã para reclamar da presença de um grande número de quatis que estão saindo do bosque em busca de comida nos sacos de lixo das lixeiras da calçada.
Os quatis atravessam rapidamente a avenida e rasgam os sacos de lixo, além de correrem o risco de ser atropelados e causar acidente de trânsito.  O professor Oscar Xavier Aguiar, morador na avenida Santa Helena, ao lado do bosque, disse que já houve caso de filhote de quati atropelado. “É perigoso tanto para o animal quanto para os motoristas pois pode causar acidente, é uma avenida movimentada. Se eles  saem em busca de alimento deve estar faltando alimento”, disse.
Em nota encaminhada pela assessoria  de imprensa da Prefeitura, a veterinária Melissa Campitelli Ferreira, do ambulatório do Bosque Municipal, explica que  os quatis já existem aos arredores do Bosque Municipal desde muito tempo antes de serem percebidos no seu interior.
Segundo a veterinária, existem relatos de “problemas” (lixos revirados, entre outros) causados por esses animais nos condomínios ao redor do bosque anterior a data de avistação deles no interior deste. “Esses animais são animais de vida livre, exímios escaladores e vão e vem a todo o momento. Além do que, são animais que tem como hábito fuçar tudo que encontram, por isso de sempre estarem fuçando o chão, viveiros, latões de lixo entre outras coisas”.
A veterinária explica que os quatis são animais silvestres, porém animais que já convivem há muito tempo próximo aos seres humanos, devido a diminuição da área de mata e então a necessidade dos mesmos de busca de alimento junto a locais onde o ser humano habita. Diversos parques, bosques e locais com este fim têm graves problemas com estes animais, em diversos municípios exatamente pela diminuição da área de mata devido ao crescimento urbano e fácil adaptação destes as áreas urbanas, pela facilidade de encontrar alimento.
Segundo a veterinária Melissa Campitelli Ferreira, como a maioria dos animais silvestres, quando há escassez de alimento, o próprio organismo destes animais entende que há necessidade de diminuir a taxa reprodutiva para conservação da espécie, pois se continuarem a se reproduzir de forma descontrolada todos eles passarão necessidades o que poderá levar vários deles o óbito, ou seja, só há reprodução quando há abundância de alimento. E o que é percebido neste caso, é uma grande quantidade de filhotes juntamente com os adultos e todos com escore corporal alto. Nas fotos e filmagens é possível observar até a existência de animais obesos, o que só faz perceber que estes animais estão superalimentados, sendo então que a cada ano que passa observamos aumento na taxa reprodutiva.
Os quatis costumam frequentar o Bosque Municipal até pelo excesso de alimento disponível em mata, visto que estes animais são onívoros, se alimentando de pequenos insetos, frutas, frutos, resto de alimentos deixados em lixeiras e na mata, entre outras coisas.
A veterinária afirma que mesmo com a existência de placas no interior do Bosque que proíbem a alimentação de animais na mata e legislações vigentes que também tem essa ordem (não alimentar animal silvestre em de vida livre), existem muitos munícipes que trazem alimentos para fornecer aos animais que se encontram no interior do bosque, desde alimento colocado para os gatos até alimentos deixados para os quatis. Isso faz com que os quatis diminuam seu instinto pela busca de alimento na mata, pois há fonte de alimentação muito mais fácil.
Todos esses fatos fazem com que o bosque torne-se então uma fonte de alimentação fácil, além de ser uma área de mata, o que promove grande quantidade de abrigo (quatis podem dormir em cima de árvores). Esses fatores somados tornam a visita destes animais no seu interior cada vez mais constantes, mesmo que estes animais não sejam a principio, oriundos do interior do local.
Diante dessas questões, a veterinária coloca que não há falta de alimento no interior, muito pelo contrário, até excesso o que tem tornado o bosque não somente uma passagem, como um local por onde estão começando a se manter por mais tempo. “Só que como assim já citado, estes animais preferem buscar alimentos que são achados mais facilmente do que ficarem buscando no meio da mata, e então lixos amarrados na calçada, latões abertos entre outros são alvos mais simples para estes animais”.
A Prefeitura, através da Emdurb, está providenciando a colocação de placas nas ruas ao redor do bosque, indicando área de travessia de animais silvestres e diminuição de velocidade por parte dos motoristas e motociclistas.