LIVROS

As controvérsias em torno dos videogames se confundem com sua própria história. No livro Videogame e violência: Cruzadas morais contra os jogos eletrônicos no Brasil e no mundo (Ed. Civilização Brasileira, 492 páginas),

(Videogame e violência)

As controvérsias em torno dos videogames se confundem com sua própria história. No livro Videogame e violência: Cruzadas morais contra os jogos eletrônicos no Brasil e no mundo (Ed. Civilização Brasileira, 492 páginas), o autor, Salah H. Khaled Jr., gamer desde a década de 1980, recusa a explicação maniqueísta de que jogos violentos provocariam agressividade e dessensibilização. Além de analisar o discurso jornalístico e político em casos de violência envolvendo gamers, o autor reúne vasta bibliografia para sustentar que muitas pesquisas apresentam falhas metodológicas e não são capazes de apontar com segurança uma relação causal entre games e agressão e entre games e perda de sensibilidade diante da violência real. Para ele, "A suposta conexão entre games e violência não é mais que um discurso produzido pela imprensa, recepcionado por políticos e grupos de pressão e, de certo modo 'certificado como verdadeiro' por alguns pesquisadores, cujo resultado conduz à criminalização cultural dos games, e também dos criadores e jogadores. Trata-se de um complexo processo de difusão de pânico moral por reacionários culturais". O livro também mostra que a indústria do videogame tem usado a polêmica a seu favor, muitas vezes ela mesma desencadeando deliberadamente o pânico, visando exclusivamente à compensação financeira. Com formação acadêmica em Criminologia, Direito Penal e História, Salah H. Khaled Jr. é um jogador aficionado. Este livro, escrito com rigor e espirituosidade, tem leitura ágil e reúne discussões de campos diversos, incluindo psicologia, ética, jornalismo e cultura pop.

 

  (Violência)

O desenvolvimento do capitalismo e da própria civilização causa mais violência do que é capaz de prevenir? Num cenário de manifestações de rua cada vez mais sangrentas, a Boitempo Editorial publica o explosivo Violência (200 páginas), de Slavoj Žižek.

Neste apaixonante apelo à consciência, as sociedades em que vivemos são viradas de cabeça para baixo, em uma análise que articula conhecimentos dos múltiplos campos da história, da psicanálise, da filosofia, da sociologia e das artes, dissecando a violência inerente à globalização, ao capitalismo, ao fundamentalismo e à própria linguagem.

Para Žižek, é preciso perceber os contornos dos cenários que engendram tais explosões. “Os sinais mais evidentes de violência que nos vêm à mente são atos de crime e terror, confrontos civis, conflitos internacionais. Mas devemos aprender a dar um passo para trás, a desembaraçar-nos do engodo fascinante dessa violência ‘subjetiva’ diretamente visível, exercida por um agente claramente identificável”, provoca.

Nesse sentido, em vez de confrontar diretamente a violência, este livro propõe seis visões laterais sobre ela. Há razões, segundo Žižek, para abordá-la assim obliquamente: “a alta potência do horror diante dos atos violentos e a empatia com as vítimas funcionam inexoravelmente como um engodo que nos impede de pensar”. Em breves e provocativos ensaios, Žižek lança novas bases para a reflexão acerca do fenômeno moderno da violência e da sua irrupção aparentemente irracional, afirmando-se como um dos mais eruditos, incendiários (e baderneiros) pensadores radicais de nosso tempo.

Esta edição brasileira vem ainda acrescida de um prefácio inédito do filósofo esloveno e de um posfácio assinado por Mauro Iasi, que buscam refletir sobre as implicações do livro para a atualidade brasileira.