Diminui a cobertura vacinal e o sarampo volta a ser uma ameaça

Em função da resistência a se vacinar e vacinar os filhos, comportamento que tem aumentado nos últimos anos, o Brasil teve aumento e surgimento de doenças não esperadas, como o sarampo. Em Marília não há casos, mas as equipes de saúde da rede básica seguem protocolo do Ministério da Saúde, que preconiza a imunização como principal forma de proteção. A queda significativa de vacinação levou a OMS

Em função da resistência a se vacinar e vacinar os filhos, comportamento que tem aumentado nos últimos anos, o Brasil teve aumento e surgimento de doenças não esperadas, como o sarampo. Em Marília não há casos, mas as equipes de saúde da rede básica seguem protocolo do Ministério da Saúde, que preconiza a imunização como principal forma de proteção. 
A queda significativa de vacinação levou a OMS (Organização Mundial da Saúde) a elencar essa preocupação entre as maiores para 2019. No Brasil, a redução de cobertura vacinal aconteceu nos últimos dois anos.
O Programa Nacional de Imunização existe desde 1973, atualmente com 25 imunobiológicos contra 20 doenças infecciosas. Apesar da oferta, a falta de casos (justamente pela imunização) reduz a adesão às campanhas e ao calendário vacinal porque as pessoas tendem a acreditar que estão totalmente seguras.
Também há a dificuldade em comparecer às unidades da rede básica, que não abrem à noite, nos finais de semana e feriados, e a complexidade que dificulta a interpretação do calendário e dos cartões vacinais.  E o quadro tem piorado com a circulação de notícias falsas e/ou alarmantes nas redes sociais, as fake news.
A cobertura nacional da primeira dose da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), com recomendação de ser aplicada em crianças com um ano de idade, foi de 95,41% em 2016 (dentro do preconizado de 95%), e de 84,97% em 2017.
Já a vacina tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela), para aplicação aos 15 meses de idade teve cobertura de 77,37% em 2016 e de 79,05% em 2017.
Como consequência da redução vacinal e da reintrodução do vírus no país, houve 2.562 registros de sarampo até 30 de outubro do ano passado, com 14 mortes e predominância na região norte.
Cremesp
O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo está com o assunto em pauta e orienta os profissionais para que contribuam com a disseminação de informações que “derrubem” a enxurrada de fake news contra a vacinação.
“O ato de vacinar é individual, mas o benefício é coletivo”, frisou o Departamento de Moléstias Infecciosas da Faculdade de Medicina da USP em matéria trazida pelo conselho na revista Ser Médico (edição de outubro a dezembro de 2018).
Marília
Marília segue protocolo nacional de prevenção de doenças principalmente pela vacina e não há casos confirmados de sarampo. “O Município atingiu meta do Ministério da Saúde, imunizando contra o sarampo 96,87% da faixa etária da campanha (mais de um ano e menos de cinco anos de idade), entre agosto e setembro. Além disso, ofertou a vacina durante todo o ano na rede básica, para que os pais pudessem cumprir o calendário vacinal”, informou a Secretaria Municipal da Saúde.
Conforme o Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde, os últimos casos de sarampo em território paulista foram apurados em 2015 (dois casos) e 2018 (três).
Vacinação contra o sarampo
Devem ser vacinadas contra o sarampo crianças com 1 ano (primeira dose) e 1 ano e três meses (segunda dose). Adultos com até 29 anos que não têm registro da vacina também podem receber duas doses.
A partir dos 30 anos, é necessário ter a anotação de pelo menos uma dose da vacina. Profissionais de saúde que não foram imunizados na infância devem ser, necessariamente, imunizados independente da idade.