CAMINHO DO TÍTULO - 40 ANOS: MAC teve geração de ouro na década de 70

Maquinho foi campeão da Copa São Paulo em 1979, sem Jorginho e outros quatro

Jorge Luiz

 

Em 2019 o Marília Atlético Clube (MAC) comemora 40 anos da principal conquista da história da base: o título da Copa São Paulo Junior de 1979 – a mais importante competição de juniores do Brasil. A reportagem JM irá fazer o caminho que levou o Maquinho ao troféu de campeão diante do Fluminense (2 a 1), com matérias, entrevistas e visão de outros jornais da época, entre o dia 7 e 20, período em que as partidas daquela edição foram realizadas.

O primeiro jogo da campanha invicta do título de 1979 foi contra o Atlético-MG, no empate em 1 a 1, no estádio da Polícia Militar, em Tatuapé. Porém, antes de iniciar a caminhada rumo ao título, saiba como o Marília conquistou a vaga para a principal competição de base do País. Na matéria de 30 anos do título, em 2009, a reportagem JM entrevistou alguns personagens maqueanos da época e reproduz parte do material.

“Na década de 70 a base do Marília era muito forte. Tudo começou com o Pupo Gimenez (ex-treinador) entre 75 e 77. No ano seguinte eu assumi uma equipe que atuava junto há várias temporadas, em outras categorias. Por isso o elenco era bastante competitivo”, lembrou o técnico campeão de 1979, Walter Zaparolli.

Em 1979 a Copinha era disputada por jogadores de até 17 anos – atualmente a idade limite é 19. O treinador da época recordou que antes de conquistar o troféu da Taça São Paulo, o alviceleste ganhava praticamente todos os títulos que disputava na categoria. “Éramos os atuais bicampeões dos Jogos Regionais e tínhamos sido vice-campeões por duas vezes dos Jogos Abertos”.

“Nosso time tinha uma obediência tática incrível. Quando fazíamos um gol, dificilmente perdíamos o jogo, pois nossa marcação era muito forte”, comentou o atacante Luís Sílvio, eleito a revelação da competição de 79. Um ano antes da Taça São Paulo, o MAC foi campeão paulista do Interior. O título deu ao clube o direito de participar da Copinha pela primeira vez na história.

“Naquela época a competição tinha um nível muito forte, pois participavam apenas 16 equipes”, lembrou Pedro Pavão, presidente da época. O goleiro Luiz Andrade disse que dois fatores foram decisivos para a conquista da Taça São Paulo. “Primeiro foi a nossa preparação física. Nenhum dos adversários que enfrentamos ganhavam da gente neste quesito. O segundo era a nossa união. Sentávamos todos juntos no refeitório e só saíamos quando todos terminassem. Esse era um dos exemplos de comprometimento e confiança em cada jogador e membro da comissão técnica”, declarou.

“Na época, o time profissional já estava de férias e eu pedi pessoalmente para o Bebeto (preparador físico) trabalhar com os meninos da Taça, pois sabia da competência dele”, recordou Pavão. Poucos meses antes da Taça São Paulo, o Marília disputou o título de melhor do Estado contra a Ponte Preta, que era a atual campeã da capital. O Tigre perdeu de 2 a 1.

O grupo maqueano de jogadores para a Taça São Paulo tinha cinco desfalques importantes. O goleiro Paulo César, o zagueiro Márcio Rossini e o meia Jorginho haviam sido convocados pela Seleção Brasileira, para a disputa do Sul-Americano sub-20. Os laterais Reinaldo (direito) e Pereira (esquerdo) estavam na equipe profissional. “Na época nenhum atleta que já tinha atuado entre os profissionais poderia jogar a Copinha. Por isso tivemos mais essas duas ausências. Mas mesmo assim isso só mostrou que nosso elenco era forte”, ressaltou Zaparolli.

Chegada a São Paulo

Um momento engraçado para o goleiro Luiz Andrade, marcou a chegada da delegação do Marília no alojamento no estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, em São Paulo. O local recebeu as outras 15 equipes. “Viajamos em um microônibus que não tinha bagageiro, portanto as nossas coisas ficavam no fundo. Era tudo muito apertado e quando chegamos no alojamento, ninguém queria descer do ônibus, de vergonha, porque vimos as outras delegações tudo bem uniformizadas e de transporte novo. De repente o Zaparolli (técnico) disse: ‘se alguém perguntar, nós vamos dizer que viemos de avião e que esse microônibus veio nos buscar no aeroporto’. O problema é que no ônibus estava escrito Prefeitura Municipal de Marília”, comentou.

Luiz Andrade, que substituiu Paulo César, convocado pela Seleção Brasileira, lembra que o MAC foi a última delegação a chegar na capital, por isso ficou no menor alojamento do estádio. “Foi assim na 1ª fase, mas na etapa eliminatória fomos ficando com os maiores, pois outros times estavam sendo eliminados”, explicou.