“Bombardeio” da mídia não afeta Bolsonaro. Cientistas políticos não conseguem entender

O candidato Jair Bolsonaro (PSL) tem sido o alvo preferencial de seus adversários neste primeiro turno da eleição presidencial. Também virou objeto de sucessivas reportagens críticas da imprensa, que revelaram pontos obscuros de seu passado e de sua trajetória política. Mas o bombardeio de críticas e acusações contra ele até agora não surtiu nenhum efeito negativo para o presidenciável nas pesquis

O candidato Jair Bolsonaro (PSL) tem sido o alvo preferencial de seus adversários neste primeiro turno da eleição presidencial. Também virou objeto de sucessivas reportagens críticas da imprensa, que revelaram pontos obscuros de seu passado e de sua trajetória política. Mas o bombardeio de críticas e acusações contra ele até agora não surtiu nenhum efeito negativo para o presidenciável nas pesquisas eleitorais.
Desde que a campanha eleitoral no rádio e na TV começou, em 31 de agosto, Bolsonaro subiu nas intenções de voto no primeiro turno e manteve estáveis, dentro das margens de erro, sua rejeição e seus números nas simulações de segundo turno contra seu principal oponente: Fernando Haddad (PT). Os dados são dos levantamentos dos institutos que vêm fazendo pesquisas com mais frequência e que, portanto, têm uma série histórica de dados mais consistente: Ibope, Datafolha, XP.
Por que nada “cola” em Bolsonaro para seu eleitor?
O cientista político Doacir Quadros, professor do Grupo Uninter, diz que há duas possíveis explicações para o fato de as críticas e ataques contra Bolsonaro não terem provocado prejuízo em sua campanha.
Segundo ele, o primeiro motivo é que a propaganda política negativa no programa eleitoral não costuma ser bem-recebida pelo eleitor, segundo mostram vários estudos sobre o assunto. Quadros, que é especializado em comunicação política, diz que esse tipo de informação funciona melhor nas redes sociais e nos comerciais de campanha que são inseridos no meio da programação normal das emissoras.
O cientista político afirma, contudo, que a principal razão é que Bolsonaro personificou a rejeição de parte expressiva do eleitorado ao PT e que isso, para essas pessoas, o “protege” contra as críticas. “Parece-me que a rejeição ao PT é maior que a rejeição ao Bolsonaro”, diz ele.”         (Gazeta do Povo)