Município registra 11 suicídios neste ano

Saúde Mental atua na prevenção e pede envolvimento da sociedade para identificação e intervenção

Aumento nas notificações de suicídio de 2016 para 2017. Foram nove registros no ano retrasado e 17 no ano passa­do. Em 2018, até o momento, há 11 casos. A Saúde Mental atua na prevenção e pede o envolvimento dos serviços e da sociedade na identificação e informação, contribuindo para as intervenções preco­ces.

De acordo com a supervi­sora de Saúde Mental do Mu­nicípio, Simone Alves Cotrin Moreira, a morte por suicídio é multifatorial e nem sempre os sinais são claros. “É muito complexo entender o que se quebrou, o que motiva um ser humano a cometer ou não o suicídio, até porque a mesma dor que uma pessoa pode su­portar, outra decide matar. Infelizmente nem toda morte por suicídio pode ser evitada, mas cabe aos serviços e à so­ciedade o máximo empenho para estar atento e não me­nosprezar sinais”.

A supervisora ressaltou que há ferramentas disponí­veis no serviço público e que muitas pessoas desconhecem, daí a importância das pessoas divulgarem os sinais para que as ações e encaminhamentos possam ser cumpridos. Famí­lia, unidades de saúde, escola, serviços sociais, profissionais de saúde em geral são alguns dos exemplos onde essa infor­mação suspeita deve chegar, mas segundo Simone Cotrin Moreira, o importante é que qualquer pessoa que perceba algum sinal se mobilize.

Os casos de suicídio ten­dem a ocorrer mais nos finais de semana, quando as pes­soas se dispersam e pode ha­ver maior isolamento, o que indicaria a importância da so­ciedade na prevenção. Simone ressaltou a relevância do CVV, ligando para 188, que oferece apoio emocional gratuitamen­te.

Embora não se possa pro­teger as pessoas de toda dor ou frustrações, a supervisora de Saúde Mental salientou que a depressão, a automutilação e o risco do suicídio precisam ser tratados como questões de saúde. “Se percebemos o menor sinal, podemos obser­var e agir precocemente, evi­tando que o quadro avance e o risco aumente”.

Das 11 mortes por suicí­dio em Marília notificadas à Secretaria Municipal de Saú­de neste ano, cinco foram de jovens entre 20 a 29 anos de idade. Entre as hipóteses es­tão as implicações do mundo moderno, com toda sua com­petitividade, imediatismo e mundo virtual de aparências.

Segundo dados da Agência Brasil, anualmente, estima-se que mais de 800 mil pessoas morrem no mundo por suicí­dio, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). En­tre os jovens de 15 a 29 anos, é a segunda principal causa de morte. No Brasil, entre 2011 e 2016, observou-se au­mento dos casos notificados de lesão autoprovocada nos sexos feminino e masculino de 209,5% e 194,7%, respecti­vamente.

Impactos negativos da Internet

O crescimento das esta­tísticas de atos e tentativas de suicídio e autolesão nos últimos anos coincidiu com o crescimento do uso de tec­nologias digitais como smart­phones, computadores e aces­so à internet.

Parte das pesquisas no Mundo (trazidas pela Agência Brasil) identificou riscos no uso de tecnologias digitais, especialmente de maneira intensa. No âmbito dos im­pactos mais gerais na saúde mental, artigo de acadêmicos da Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, publica­do neste ano, sinalizou que adolescentes mais expostos aos dispositivos eletrônicos manifestaram menores níveis de autoestima, satisfação com a vida e felicidade.

“A relação entre uso da In­ternet e comportamento sui­cida e de autolesão foi parti­cularmente associado ao vício no acesso a essa tecnologia, altos índices de navegação e contato com sites onde ha­via conteúdo relacionado ao tema”, afirmaram os pesqui­sadores no artigo.

Um levantamento de pes­quisadores de diversos países europeus publicado em 2014 analisou jovens de 11 nações do continente e indicou uma presença grande de relatos de pensamentos suicidas (42%) entre meninos e meninas que informaram ter hábitos inten­sos de consumo de internet e outras formas de mídia.

Vítimas de cyberbullying teriam 2,1 chances de exibir um comportamento suicida e 2,6 vezes mais chances de cometer algum ato no senti­do de tirar a própria vida, se­gundo estudo do Reino Unido - Valter Campanato (Agência Brasil).

Impactos positivos  da Internet

Contudo, há também di­versos estudos que identifi­cam efeitos positivos do uso de dispositivos eletrônicos no combate e na prevenção de condutas suicidas. Traba­lhos acadêmicos relacionados pela Agência Brasil indicaram recursos tecnológicos que po­dem auxiliar pessoas nessas situações, como fóruns de discussão, tratamentos online e busca de informações na In­ternet.

“Pesquisadores da Univer­sidade de Illinois, nos Estados Unidos, criaram um serviço de apoio a pessoas com risco de depressão pela Internet. No trabalho com os resulta­dos do experimento, publica­do em 2013, eles registraram que após um ano de funcio­namento, o percentual de en­trevistados que mencionaram pensamentos de autolesão caiu de 14,46% para 4,82%”, informou a Agência Brasil.