Equipe da USF Figueirinha leva teatro à escola

Eles aprenderam, de forma lúdica, sobre o perigo do lixo orgânico e da falta de cuidado com os cães para a transmissão da leishmaniose. O teatro “Fim da Picada”, com a equipe da USF (Unidade Saúde da Família) Figueirinha, impactou alunos da Emefei (Escola Municipal de Ensino Fundamental e Educação Infantil) Roberto Caetano Cimino. Apresentações fazem parte do PSE (Programa Saúde na Escola) e ating

Eles aprenderam, de forma lúdica, sobre o perigo do lixo orgânico e da falta de cuidado com os cães para a transmissão da leishmaniose. O teatro “Fim da Picada”, com a equipe da USF (Unidade Saúde da Família) Figueirinha, impactou alunos da Emefei (Escola Municipal de Ensino Fundamental e Educação Infantil) Roberto Caetano Cimino. Apresentações fazem parte do PSE (Programa Saúde na Escola) e atingiram mais de 400 alunos, distribuídos em quatro grupos na última sexta-feira (27). O trabalho teve início após a participação da escola nas oficinas ministradas pelos veterinários Lupércio Garrido Neto e Ticiana Donatti dos Reis, da Divisão de Zoonoses de Marília.
Durante o curso, realizado na sede da Secretaria Municipal da Educação, com a participação da Equipe Técnica da Secretaria e de professores coordenadores de 40 Emeis, foram transmitidas informações sobre o surgimento, avanço e a situação da doença na região, além de aspectos técnicos.
FIM DA PICADA
 Em cada território, o PSE tem diferentes estratégias, de acordo com o perfil da população. O bairro Figueirinha, localizado na zona norte, não registrou casos de leishmaniose em humanos, mas tem grande população canina e proximidade de áreas com transmissão confirmada, como Jânio Quadros e JK. Para contar a história de uma família que só aprende a limpar o quintal após ter uma criança e um cão infectados pelo mosquito palha, os profissionais de saúde encararam os personagens: papai, mamãe, mosquito, cãozinho, entre outros. A enfermeira Elanir Morro, que improvisa como roteirista e apresentadora do teatro, conta que a proposta lúdica movimentou a unidade. “Todos se envolveram, fizemos as fantasias, cenário, enfim, foi um trabalho de equipe e o resultado é excelente”, disse. Para a diretora da escola, Rosemeire Frazon, que recebeu o grupo ao lado da auxiliar, Elissandra Medeiros, a ludicidade e contato com os profissionais de saúde permitem às crianças fazer a transposição do conhecimento para o cotidiano, o que torna o trabalho mais eficaz. “Eles assimilam, de fato, o tema. Importante que a partir desse trabalho, é feita a conexão com a realidade deles, envolvendo a família e a comunidade de forma geral”, explica a educadora.
Equipe de apoio da Atenção Básica, representante do RH da Maternidade Gota de Leite (parceira do município na ESF – Estratégia Saúde da Família) e o coordenador de serviços administrativos da Secretaria Municipal da Saúde de Marília, Antônio Roberto Ruiz, participaram da plateia e aprovaram a iniciativa. “O PSE é uma arma poderosa para que possamos atingir, ainda mais, a população, conscientizando sobre a importância de hábitos simples e de grande repercussão no controle da doença, como a limpeza dos quintais e a atenção aos cães”, disse Roberto.
O QUE É A LEISHMANIOSE
A leishmaniose visceral é uma doença grave que acomete o homem, os cães e outros mamíferos. É causada pelo parasita Leishmania chagasi, que é transmitido por meio da picada do mosquito palha. Nas áreas urbanas, o cão é a principal fonte de infecção. Ao picar um cão infectado, o mosquito palha passa a transmitir a doença. O mosquito costuma picar a partir do final da tarde até o amanhecer. O “palha”, que recebe esse apelido por sua cor, se reproduz depositando seus ovos no solo. As larvas alimentam-se de matéria orgânica até se tornarem adultos.
Para evitar a proliferação do mosquito palha, é preciso manter o ambiente limpo, livre de entulhos e matéria orgânica. A cidade apresenta casos da doença em humanos desde 2011, quando foi confirmada uma notificação de leishmaniose visceral na zona norte. Em 2014 foram outras duas ocorrências e em 2015 mais uma. Em 2016 o número disparou: foram dez casos. Sem ações específicas de controle entre 2014 e 2016, o avanço da doença prosseguiu.
Desde janeiro de 2017 funciona um Grupo Técnico, com a participação da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), específico para acompanhar a doença e definir ações. Em 2017 foram confirmados 15 casos e este ano apenas um registro positivo.