Maestro recebe título de cidadão pompeense

O renomado maestro João Carlos Martins recebeu na última terça-feira, 17, o título de cidadão pompeense em sessão solene realizada às 20 horas na Câmara Municipal de Pompeia. O projeto de decreto legislativo de autoria do vereador Vanderlei Ribeiro dos Santos foi protocolado com o objetivo de homenagear o maestro que tem uma forte relação com a cidade tendo se apresentado por duas vezes em Pompeia

O renomado maestro João Carlos Martins recebeu na última terça-feira, 17, o título de cidadão pompeense em sessão solene realizada às 20 horas na Câmara Municipal de Pompeia. O projeto de decreto legislativo de autoria do vereador Vanderlei Ribeiro dos Santos foi protocolado com o objetivo de homenagear o maestro que tem uma forte relação com a cidade tendo se apresentado por duas vezes em Pompeia com recorde de público.
Reconhecido por ser um dos maiores pianistas do mundo e apontado como o maior intérprete Bach, o maestro e a Orquestra Filarmônica Bachiana - SESI SP, dirigida por ele há mais de 10 anos reuniram em 2014 cerca de 1500 pessoas no Ginásio de Esportes da Fundação Shunji Nishimura. 
A solenidade contou com a presença de várias autoridades locais e ao final com uma apresentação de alunos do Projeto Oásis, que atualmente atende mais de 1.300 alunos. Trata-se de uma organização de inclusão social sediada em Pompeia e que potencializa talentos para os esportes e para artes.
João Carlos, em seu pronunciamento, declarou emocionado que o título vai ficar gravado não somente na galeria de homenagens e prêmios que recebeu durante a sua carreira, mas em sua alma e coração. “Desde a primeira vez que vim a Pompeia fiquei impressionado com o grande número de pessoas interessadas em música clássica num universo populacional não muito grande como o da cidade”, destacou Martins. O maestro recordou que a cidade de Pompéia foi uma das primeiras a receber o projeto denominado “Orquestrando São Paulo” que se iniciou há quatro anos e que já realizou mais de 1500 consertos que atingiram um público de 16 milhões de pessoas ao vivo.
“É a democratização da música clássica no Brasil”, comemorou o músico. João Carlos como parte do seu projeto de vida aos 78 anos já formou 70 orquestras no Estado em parceria com o Sesi dentro do projeto chamado “Orquestrando São Paulo. “Hoje comecei as tratativas para formar em parceria com o projeto Oásis a 71ª primeira orquestra do Estado.” O que a música e proporcionou quero devolver à música. Tenho um sonho de formar 1.000 orquestras no nosso país”, frisou.
A aluna do Oásis, Camila Aguiar, de 14 anos que se apresentou durante a solenidade na Câmara, disse que a cidade e cada aluno vão ganhar muito com a formação da orquestra. Ela que faz parte do projeto desde o ano passado disse que não tinha palavras para expressar a alegria do momento
Já o aluno Caíque Ferreira que também se apresentou na homenagem disse que a oportunidade que teve foi de fundamental importância em sua vida pois não toca nenhum instrumento. “Vai ser incrível poder participar da 71ª orquestra formada no Estado apurando ainda mais o gosto inicial que tive pela música clássica. Quero me aperfeiçoar e ir o mais longe que puder na música, declarou o aluno que tocou teclado durante a apresentação.
Martins também disse que ficou profundamente emocionado em encontrar durante a solenidade o maestro Emílio Patarra, que atualmente rege a orquestra de Marília. “Trata-se de um dos grandes maestros brasileiros e Marília pode se sentir agraciada por contar com um regente dessa categoria”, destacou.

Exemplo de Superação
João Carlos Martins viveu diversos momentos de superação, uma vez que várias situações físicas quase o afastaram dos palcos que o consagraram mundialmente. Desde uma queda a um assalto, que sofreu na cidade de Sofia na Bulgária, onde foi golpeado na cabeça com uma barra de ferro, provocando uma sequela neurológica que comprometeu o membro superior direito. Voltou a apresentar problemas no braço direito, e agora também na fala, teve que ser submetido a um novo procedimento cirúrgico. Não desistindo da carreira musical com o correr dos anos desenvolveu no membro superior saudável, o esquerdo, uma doença chamada contratura de Dupuytren.  Submetido a várias cirurgias que o impediram de tocar dedicou-se à regência o que faz com maestria até os dias atuais e declara que perdeu as mãos, mas não a música e quer cumprir a missão de músico até o fim da vida. “Nunca acreditei nas palavras derrota e adversidade”, destaca o maestro que tem um sonho de formar orquestras em cada cidade do Brasil.