Quando arremeter é o mais seguro

As estatísticas na aviação apontam que acidentes de aproximação e pouso são responsáveis por 55% dos casos de danos irreversíveis à aeronave e morte de ocupantes. E um dado agravante: somente 3% das aproximações na aviação comercial não são consideradas estabilizadas, mas 97% delas são executadas até o pouso pelos tripulantes envolvidos.

As estatísticas na aviação apontam que acidentes de aproximação e pouso são responsáveis por 55% dos casos de danos irreversíveis à aeronave e morte de ocupantes. E um dado agravante: somente 3% das aproximações na aviação comercial não são consideradas estabilizadas, mas 97% delas são executadas até o pouso pelos tripulantes envolvidos.

Os instrutores de voo costumam comentar com seus alunos que o pouso pode ser comparado a uma arremetida malsucedida, ou seja, em poucas palavras, eles querem enfatizar que o aviador deve estar sempre preparado para executar um procedimento de aproximação perdida. As estatísticas, porém, sinalizam que os acidentes continuam acontecendo porque há pilotos insistindo em completar a descida durante uma aproximação desestabilizada.

Uma ferramenta importante que as companhias aéreas vêm utilizando para diminuir os índices de acidentes e incidentes é o sistema FOQA (sigla para Flight Operational Quality Assurance), que permite ao departamento de segurança de voo monitorar dados digitais capturados em todas as fases do voo, desde o acionamento até o corte dos motores. Quaisquer desvios de procedimentos padrões ou manobras fora da rotina são indicados pelos computadores desse departamento. A tripulação envolvida é convidada para explicar o porquê do procedimento adotado, além de ser orientada a evitar os desvios operacionais. 

A Flight ­Safety ­Foundation (FSF) recomenda que o avião esteja na trajetória correta e com velocidade ajustada para o pouso a 1.000 pés sobre o terreno, em condições de voo por instrumentos, ou a 500 pés, quando se está voando em condições visuais. Por outro lado, alguns operadores, numa posição mais conservativa, podem determinar que as tripulações executem a aproximação quando a aeronave estiver voando estabilizada a 1.000 pés sobre o terreno, tanto sob condição de voo por instrumentos como em condições visuais. Nessas horas, vale o bom CRM (Cockpit Resource Man­agement) para que tanto o comandante quanto o copiloto optem em conjunto pela arremetida.