80% dos acidentes são na aterrissagem; pousos inteligentes podem ser solução

Enquanto o número de acidentes aéreos continua se aproximando do zero absoluto - sendo 2017 o melhor exemplo, ano em que aconteceram alguns acidentes mas nenhum em voos comerciais -, especialistas continuam batalhando para encontrar uma solução terminativa para o assunto.

Enquanto o número de acidentes aéreos continua se aproximando do zero absoluto - sendo 2017 o melhor exemplo, ano em que aconteceram alguns acidentes mas nenhum em voos comerciais -, especialistas continuam batalhando para encontrar uma solução terminativa para o assunto.

O evento Safe 2 Go, promovido pela Gol em São Paulo na semana passada, teve como objetivo se aventurar em debates sobre possíveis soluções - uma delas foi proposta por um dos membros da Flight Safety Foundation, Mark Millan, acerca do momento dos voos que, segundo ele, representa a maioria de todos os acidentes aéreos: a aterrissagem.

"Pesquisas recentes apontam que de todos os acidentes aéreos, 80% aconteceram na aterrissagem. E não é um problema do passado: em 2017, por exemplo, mesmo não tendo nenhuma fatalidade em voos comerciais, dez acidentes aéreos aconteceram em todo o mundo, e deles, cinco foram no momento do pouso da aeronave", lamentou Millan no evento.

Isso fez com que sua fundação se voltasse para soluções para o que categoriza como principal gap da segurança aérea global. Um dos meios seria a implementação da chamada aterrissagem inteligente (smart landing, em inglês), que por meio de aparelhos permite aterrissagens mais "estáveis", diminuindo o risco de pousos com impacto mais forte ou mais longos - o que, se agravado por outros fatores, pode levar a acidentes.

"Claro que nem todas as empresa conseguem implementar esse sistema... Por isso criamos alguns procedimentos de aterrissagem que seguem o que o smart landing tenta fazer, ajudando os pilotos a realizarem pousos mais leves e mitigando os acidentes causados neste momento", finalizou Mark Millan.

O evento promovido pela Gol Linhas Aéreas teve como pauta geral a criatividade e inovação como um meio de abrir novas possibilidades na gestão do setor aéreo.

"Vivemos na aviação um segmento muito engessado, pois por se tratar de vidas de passageiros que transportamos, tudo é muito regulamentado e burocrático... O objetivo com o evento é mostrar que há espaço para melhorar ainda mais essa segurança, e mostrar alguns desses meios para todos os gestores envolvidos de algum modo com o mercado aéreo", explicou o gerente executivo de Segurança Operacional da Gol, Dan Guzzo.

Gestores de Latam e Avianca Brasil estiveram presentes no evento, além de uma série de outras áreas que lidam com a segurança aérea, inclusive empresas que atuam nos aeroportos, na manutenção de aeronaves, no deslocamento delas antes e após o voo, etc.