Recém-nascida mariliense aguarda leito no Centrinho há quase um mês

Uma recém-nascida mariliense aguarda um leito no Centrinho de Bauru (Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo). A espera completa um mês no dia 10 e a criança, internada na UTI do Hospital Materno Infantil, acabou contraindo uma infecção hospitalar. O HMI afirma que o caso é acompanhado de perto e que o quadro da bebê está sob controle. Maria Pansani Clemen

Uma recém-nascida mariliense aguarda um leito no Centrinho de Bauru (Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo). A espera completa um mês no dia 10 e a criança, internada na UTI do Hospital Materno Infantil, acabou contraindo uma infecção hospitalar. O HMI afirma que o caso é acompanhado de perto e que o quadro da bebê está sob controle.
Maria Pansani Clemente nasceu no dia 10 de março no Materno Infantil de cesárea, após 39 semanas de gestação. De acordo com a tia, a secretária Elaine França, a gravidez transcorreu com tranquilidade, assim como o parto, mas a criança nasceu com as vias aéreas obstruídas, incapacitada de respirar pelo nariz.
Desde então, permanece internada no HMI, em incubadora, e uma semana atrás contraiu a infecção hospitalar, sendo medicada com antibióticos desde então. “Nos primeiros dias o Materno Infantil cogitou fazer a cirurgia da minha sobrinha aqui e levou mais de uma semana para informarem que o procedimento seria feito em Bauru e está demorando demais”, lamentou a tia.
O HMI informou que Maria nasceu com atresia de coanas. As coanas são a parte final das narinas, onde o nariz se comunica com a garganta (rinofaringe). A atresia (estreitamento ou oclusão) nas coanas impossibilita a passagem do ar pelo nariz. O hospital informou que não tem o equipamento necessário para a correção cirúrgica, daí o encaminhamento ao Centrinho de Bauru, que é referência nacional e até internacional de qualidade, porém, tem dificuldade de leitos em razão da grande demanda.
“O Centrinho está ciente e o médico e professor da USP que acompanha o caso já esteve no Hospital Materno Infantil vendo a paciente de perto. Estamos aguardando leito para fazer o encaminhamento e, enquanto isso, a criança é acompanhada de muito perto pela equipe do HMI, recebendo todo atendimento e tratamento necessários”, informou o HMI, via assessoria de imprensa.
A cirurgia da atresia é realizada por dentro das narinas, com auxílio de micropinças e um equipamento de videoendoscopia, e consiste na recanalização desta região, permitindo o retorno da respiração nasal, fundamental para o desenvolvimento do bebê.
“Meu irmão e a mãe da Maria são pais de primeira viagem e estão sofrendo muito nessa espera angustiante. Nunca puderam pegar a filha nos braços e a veem enfaixada na incubadora, muitas vezes agitada, e não podem fazer nada. Além disso, temem por essa infecção. É muito tempo para um recém-nascido ficar hospitalizado”, desabafou Elaine França.