Diagnóstico precoce favorece portadores

Nesse dia 2 de abril (amanhã), de Conscientização sobre o Autismo, o diagnóstico precoce é destaque. Os pais ou responsáveis são as pessoas que mais convivem e conhecem as crianças e há sinais a serem percebidos desde muito cedo. A aceitação de que há algo diferente abre portas à busca de atenção e estímulos que podem fazer toda diferença. O chamado transtorno do espectro autista (TEA) afeta uma e

Nesse dia 2 de abril (amanhã), de Conscientização sobre o Autismo, o diagnóstico precoce é destaque. Os pais ou responsáveis são as pessoas que mais convivem e conhecem as crianças e há sinais a serem percebidos desde muito cedo. A aceitação de que há algo diferente abre portas à busca de atenção e estímulos que podem fazer toda diferença.

O chamado transtorno do espectro autista (TEA) afeta uma em cada 160 crianças no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A agência da ONU ainda diz que existem diversos fatores que podem deixar a criança mais propensa à condição, como questões ambientais e genéticas.

Esses dados são de 2018 e o aumento podem estar relacionado ao maior numero de diagnósticos (por se falar mais de autismo hoje) e também às exposições ambientais aumentadas (produtos industrializados, agentes tóxicos, entre outros).

“Quanto mais cedo o diagnóstico do autismo, maiores serão as oportunidades da criança se desenvolver e ter uma vida independente, pois a neuroplasticidade, que é a capacidade do sistema nervoso de mudar, adapta-se e molda-se ao longo do desenvolvimento neuronal, maior nos primeiros cinco anos de vida. É uma corrida contra o tempo. Uma criança diagnosticada aos quatro ou cinco anos perdeu uma fase importante de desenvolver novas conexões”, mencionou a enfermeira Thaís Giaxa, que também é mãe de Davi, de dois anos e nove meses, que tem autismo.

Thaís contou que Davi nasceu de uma gestação desejada e tranquila e que até um ano de vida seu desenvolvimento foi normal até que, nesta fase, os pais identificaram nele pouco interesse pelas coisas e pessoas. Aos poucos o menino foi deixando de falar, de fazer gestos que já sabia, como dar tchau e bater palminhas. E aos 15 meses já não falava mais nenhuma palavra.

“Alguns profissionais me diziam que era cedo, que não se fazia esse diagnóstico com tão pouca idade. Aos 18 meses procurei uma neuropediatra que pediu alguns exames e iniciou um programa de terapias para estimulá-lo. Com os exames todos negativos, o psiquiatra fechou o diagnóstico em março do ano passado, quando o Davi tinha um ano e 8 meses. A partir dai fomos atrás de tudo o que era possível fazer de intervenção e hoje, com um ano de tratamento já comemoramos muitos avanços”, contou a mãe.

A enfermeira mencionou que aceitar que a criança possui formas diferentes de lidar com as diversas situações ajudará a família a compreendê-la melhor, e auxiliá-la em suas necessidades. “Por exemplo, o Davi hoje ainda não fala, mas aprendeu nas terapias como deve pedir o que deseja, em seu caso buscando um contato visual conosco e apontando para o que quer. Isso facilita muito para nós, que compreendemos o que o Davis precisa, e para ele, que muitas vezes ficava irritado por não conseguir se comunicar”.

Thaís contou que o diagnóstico é um choque, mas fundamental para abrir novas oportunidades para as crianças com autismo. “A impressão que eu tinha é que tinham levado meu Davi e me dado outro no lugar. Talvez por isso muitos pais negueme protelem a busca por um diagnóstico. Mas o que a gente não imaginava naquela época era a grande glória de ter um serzinho tão especial conosco. Ele veio nos ensinar muitas coisas, a dar valor em coisas que antes passavam despercebidas, comemorando com muita festa cada conquista. São muitas horas de terapias, muito gasto, muito cansaço físico e mental, mas tudo isso recompensado por muito amor e carinho. O Davi ama abraçar e é um beijoqueiro. Ao contrário do que muitos pensam, eles não vivem no “mundinho deles”. Vivem no nosso mundo, só que com seu jeitinho peculiar e cada um é diferente do outro, com sua personalidade, e cada dia é diferente também”.

A mãe e enfermeira diz que sua família escolheu o caminho do amor, sem esperar nada em troca, mas cheio de esperança e buscando sempre o melhor. A postura dos pais contagiou a todos em torno e a irmã de Davi, Laura, aproximadamente três anos mais velha que o irmão. “Oferecemos as oportunidades que podemos ao Davi, mas sem excesso de pressão e expectativas, oferecendo condições para que viva uma vida feliz e possa ser quem é”, contou. 

Tratamento

Em Marília o Espaço Potencial oferece atendimento sem custos às crianças e jovens autistas, mas há lista de espera. Há atendimento particular e por convênios médicos também. O tratamento em geral é individualizado, pois cada criança no espectro autista tem uma necessidade específica. Alguns, por exemplo, precisam de medicamento para diminuir a agressividade, outros para dormir. Cabe ao psiquiatra ou neuropediatra a decisão de medicar ou não. Já as terapias de estimulação como psicoterapia, fonoterapia e terapia ocupacional devem ser iniciadas o mais precocemente possível.

Sociedade 

O diagnóstico precoce também ajuda a eliminar a pressão da sociedade sobre os pais. Porque, segundo Thaís Giaxa, ainda há muito preconceito por ignorância. “Sentimos os olhares tortos, as pessoas que julgam essas crianças como malcriadas, sem limites. Até amigos se afastaram de nós após o diagnóstico do Davi”.