Estado interrompe fornecimento de remédio

O adolescente Alisson Fernando Catoara, 17 anos, está sem a medicação que utiliza porque a Secretaria de Estado da Saúde interrompeu a entrega. Ele deveria pegar o Concerta (estimulante do sistema nervoso central) em janeiro, mas até hoje não chegou. Ele tem alguns poucos comprimidos porque o tratamento teve um intervalo nas férias. A mãe do adolescente, Fernanda Cristina doNascimento Cantoara, bu

O adolescente Alisson Fernando Catoara, 17 anos, está sem a medicação que utiliza porque a Secretaria de Estado da Saúde interrompeu a entrega. Ele deveria pegar o Concerta (estimulante do sistema nervoso central) em janeiro, mas até hoje não chegou. Ele tem alguns poucos comprimidos porque o tratamento teve um intervalo nas férias.

A mãe do adolescente, Fernanda Cristina doNascimento Cantoara, busca a medicação mensalmente no DRS IX (Departamento Regional de Saúde de Marília), órgão vinculado ao Estado. No entanto, ela esteve no serviço por diversas vezes nos últimos três meses e saiu do local de mãos vazias. 

“Nem satisfação o DRS nos dá. A frase é sempre a mesma, avisam que o Concerta não chegou e que é para eu voltar a ligar para ver se chegou”, disse a mãe do adolescente. Ele precisa do comprimido uma vez ao dia para estudar, se concentrando e retendo o que aprende em função do TDAH (Déficit de Atenção com Hiperatividade). 

A data para o paciente obter o próximo frasco de trinta comprimidos do Concerta era 26 de janeiro, mas até hoje não recebeu o remédio. A mãe informou que eles têm administrado os últimos comprimidos, que sobraram do final do ano passado porque o tratamento foi interrompido nas férias. 

O medicamento está na lista de alto custo da Secretaria de estado da Saúde. A família mencionou que o preço inviabiliza o tratamento particular. “Cada frasco de Concerta 54 miligramas custa por volta de R$ 500,00”, mencionou Fernanda Cristina Cantoara.

Posição do Estado

O Departamento Regional de Saúde de Marília informou que o medicamento Metilfenidato 54mg foi adquirido, mas houve atraso na entrega por parte do fornecedor, que tem sido cobrado para que entregue o produto o quanto antes e está sujeito a multa por descumprimento de prazo.

“Cabe esclarecer que o SUS (Sistema Único de Saúde) distribui mais de miltipos de medicamentos em diferentes apresentações no Estado de São Paulo.Para atender os pacientes cadastrados no programa de Medicamentos Especializados (Alto Custo) em todo o Estado, a pasta estadual realiza planejamento periódico dos estoques, com base no consumo e mais uma margem de segurança para garantir que a unidade tenha estoque até que seja abastecida pela próxima compra”.

O DRS acrescentou que, apesar dessa logística de trabalho, há fatores alheios ao planejamento da pasta, que podem ocasionar desabastecimentos temporários, como aumento inesperado de demanda (acima da margem de segurança prevista), atraso por parte do fornecedor, pregões “vazios” (quando nenhuma empresa oferta o medicamento) ou pregões “fracassados” (quando as empresas estabelecem preços acima da média de mercado, o que inviabiliza legalmente a aquisição).