TST aprova mudanças em plano de saúde e funcionários encerram greve

A greve dos Correios foi de apenas um dia. Em Marília, somente os carteiros aderiram ao movimento, realizado na segunda-feira. Ontem eles voltaram a trabalhar. A decisão do TST (Tribunal Superior do Trabalho) saiu e obriga os empregados da empresa pública e seus dependentes a pagar mensalidade para manter os planos de saúde. “Essa decisão é irreversível e decidimos voltar a trabalhar, ganhando tem

A greve dos Correios foi de apenas um dia. Em Marília, somente os carteiros aderiram ao movimento, realizado na segunda-feira. Ontem eles voltaram a trabalhar. A decisão do TST (Tribunal Superior do Trabalho) saiu e obriga os empregados da empresa pública e seus dependentes a pagar mensalidade para manter os planos de saúde.
“Essa decisão é irreversível e decidimos voltar a trabalhar, ganhando tempo para a elaboração de uma nova estratégia, mas mantemos o estado de greve”, considerou o delegado sindical do Sindecteb (Sindicato dos Correios e Similares de Bauru), que abrange Marília, Sidnei Ricardo Caijano. Ao todo, 32 sindicatos representam a categoria no país, sendo que somente dois não tinham aderido à paralisação.
Segundo Caijano, os funcionários dos Correios estão em número cada vez menor e perdendo direitos. A greve tentou evitar as mudanças no plano de saúde, assim como destacar a necessidade de contratação de pessoal para retomar a qualidade do serviço prestado á população.
Não há concurso público no Brasil para os Correios desde 2011. Os 120 mil funcionários que os Correios possuíam hoje são 106 mil. Só em Marília houve perda de quase 20 carteiros e as duas unidades de distribuição que a cidade tinha foram agrupadas em uma só, na rua Rui Barbosa, nº 70. A unidade da avenida Castro Alves, nº 447, foi transformada em um centro de distribuição de encomendas por Sedex e de documentos registrados.
“Já recebemos a informação direta de que correspondências não são mais prioridade”, afirmou o sindicalista.
A redução do quadro de recursos humanos impacta na qualidade do serviço prestado e são inúmeras as reclamações da população por cartas e encomendas não entregues no prazo e até extraviadas. O sindicato acredita que a precarização seja uma estratégia para a privatização dos Correios.
E a privatização é uma possibilidade real. “Diante da conjuntura econômica, o Tesouro não colocará recursos nos Correios. Ou as despesas diminuem ou os Correios vão passar por um processo de privatização”, disse ontem o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab.
Segundo a direção da empresa pública, hoje os custos com o plano de saúde dos trabalhadores representam 10% do faturamento dos Correios (quase R$ 2 bilhões por ano). Além dos empregados, dependentes e cônjuges, o plano de saúde contempla pais e mães dos titulares.
“O assunto foi discutido exaustivamente com as representações dos trabalhadores desde outubro de 2016, inclusive com mediação do Tribunal Superior do Trabalho. Após diversas tentativas de acordo sem sucesso, a empresa se viu obrigada a ingressar com pedido de julgamento”. A decisão do TST foi favorável aos Correios e agora a direção avalia qual será a nova realidade.
Avaliação da greve pelos Correios
De acordo com a direção dos Correios, todas as agências no interior do estado de São Paulo, inclusive nas regiões que aderiram ao movimento grevista, permaneceram abertas. Em Marília somente os carteiros participaram da paralisação.
Segundo um levantamento realizado pela direção da empresa pública, 87,15% do efetivo total dos Correios no Brasil continuou trabalhando, o que corresponde a cerca de 92 mil empregados. No interior do estado de São Paulo, 92,39% do efetivo trabalhou normalmente, equivalendo a 10.090 empregados.