Mulheres não só integram o mercado de trabalho, como assumem lideranças

As mulheres não só integraram o mercado de trabalho, como passam a assumir lideranças. De acordo com a gestora municipal da Saúde, Kátia Ferraz Santana, esta é uma busca natural de qualquer profissional que acredite em si mesmo e tenha competência para atuar na linha de frente, independente de gênero. “Áreas como a Saúde e a Educação são diferenciadas por já terem em seu histórico a presença femi

As mulheres não só integraram o mercado de trabalho, como passam a assumir lideranças. De acordo com a gestora municipal da Saúde, Kátia Ferraz Santana, esta é uma busca natural de qualquer profissional que acredite em si mesmo e tenha competência para atuar na linha de frente, independente de gênero. 

“Áreas como a Saúde e a Educação são diferenciadas por já terem em seu histórico a presença feminina predominante. No entanto, é muito recente e ainda incomum a ocupação dos topos hierárquicos em praticamente todas as profissões, assim como na política”, considerou a gestora municipal da Saúde.

Kátia Santana vê a luta pelas lideranças e compatibilidade salarial como muito presente e necessária. Ela foi diretora geral da Santa Casa de Rio Claro por 14 anos e superintendente da Santa Casa de Marília por 13, tendo assumido a pasta municipal da Saúde no ano passado. “A emancipação feminina começa pela crença em si mesma. As mulheres são capazes, tanto quanto qualquer homem, e precisam ter ciência disso, se sentindo aptas”.

 

Regina Serva

A diretora presidente da ABHU (Associação Beneficente Hospital Universitário), vinculada à Unimar, Regina Losasso Ottaiano Serva, ressaltou ainda que o espaço no mercado de trabalho já foi conquistado, mas que é preciso atenção a discriminações veladas e não é possível generalizar o empoderamento feminino. “Nosso país é muito grande e diversificado. Nossa região já apresentou grandes avanços e é privilegiada. Ainda há muito desrespeito aos direitos femininos”.

Márcia Mesquita Serva

Regina Serva educou as filhas para desenvolverem suas habilidades e trabalharem. A mais velha, Márcia Mesquita Serva, é superintendente do HBU (Hospital Beneficente Unimar) e contou que nunca cogitou não trabalhar.

“Não é uma questão econômica, mas de educação. Cresci com meus pais trabalhando e com o ensinamento de que é muito importante ser autossuficiente. Que o valor de um ser humano está em fazer sentido, em ter objetivos. E foi o que fiz. Na minha família nunca houve diferenciação de gênero e quando você tem aceitação e valorização em casa enfrenta melhor a rejeição externa”, contou Márcia Mesquita Serva.

Na área da Saúde, Márcia salientou o dom de ser mãe como indiscutível, inigualável e de grande valia. “A sensibilidade feminina contribui muito nas questões da Saúde por ser a área profissional que lida com o ser humano em sua maior fragilidade, que é o adoecimento”.

Fernanda Mesquita Serva

A filha mais nova de Regina Serva, Fernanda Mesquita Serva trilhou seu caminho profissional na área da Educação e é pró-reitora de Ação Comunitária e Pesquisa da Universidade de Marília. Ela contou que sempre foi respeitada dentro e fora de Marília por seu trabalho, independente de questões de gênero, mas reconhece que a busca por direitos é contínua para as mulheres.

“Nós temos que usar a nosso favor as características predominantemente femininas. Há espaço para as mulheres em todas as áreas do conhecimento e na Unimar vivenciamos esse processo de empoderamento feminino, tanto entre as profissionais quanto alunas, que hoje ocupam 70% de nossas carteiras acadêmicas. E todos os cursos foram ocupados por alunas”.

Edna Chiesa (Kieza)

A empresária Edna Chiesa contou que ela e a irmã ocupam cargos de liderança nos negócios da família, mas que houve uma resistência inicial por parte do pai, que se viu forçado a delegar em razão do crescimento das empresas. “Nosso pai sempre foi muito perfeccionista e não se arrependeu de ter confiado em nosso trabalho. Pelo contrário, o que nos deixa muito satisfeitas”. 

Depois de mostrar potencial à família foi preciso lidar com o estigma de sexo frágil junto à sociedade e à equipe de trabalho. “A mulher é guerreira e continua nessa luta, mas estamos à frente de muitas funções, tanto em casa, quanto no mercado de trabalho. A sociedade acostuma. Eu mesma já precisei ser mais firma várias vezes para que as pessoas entendessem que eu sabia o que estava fazendo, o que era necessário e respeitassem minha autoridade”.