Globo é acusada de prestar um “desserviço” em caso de abuso sexual na novela O Outro Lado do Paraíso

A novela O Outro Lado do Paraíso está abordando um tema bem recorrente na sociedade de todo mundo, o abuso contra menores. Laura (Bella Piero) é quem foi desempenhada para essa função na trama do autor Walcyr Carrasco e vem representando muito bem o sofrimento contraído.

 

A novela O Outro Lado do Paraíso está abordando um tema bem recorrente na sociedade de todo mundo, o abuso contra menores. Laura (Bella Piero) é quem foi desempenhada para essa função na trama do autor Walcyr Carrasco e vem representando muito bem o sofrimento contraído.

O Conselho Federal de Psicologia reagiu ao tema abordado na trama. Para eles, a TV Globo está prestando um “desserviço” ao relatar de forma simples o crime cometido pelo padrasto da jovem, o delegado Vinícius (Flávio Tolezani). Uma nota foi publicada no site da entidade na última segunda-feira (5).

Um trecho da nota do CFP diz que “é consenso no Brasil de que pessoas com sofrimento mental, emocional e existencial intenso devem procurar atendimento psicológico com profissionais da Psicologia, pois são os que têm a habilitação adequada.”

Confira a nota na íntegra:

“Mesmo compreendendo o caráter de uma obra de ficção, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) entende que a telenovela “O outro lado do paraíso”, por se tratar de uma obra capaz de formar opinião, presta um desserviço à população brasileira ao tratar com simplismo e interesses mercadológicos um tema tão grave como o sofrimento psíquico de personagem cuja origem é o abuso sexual sofrido na infância.

Quanto ao argumento de que se trata ‘’apenas’’ de ficção, lembramos que são as novelas da Rede Globo que, como estratégia de elevar a audiência, frequentemente buscam embaralhar as barreiras do ficcional e do real, entre outras formas, introduzindo nas tramas fatos e temas candentes da sociedade.

É consenso no Brasil de que pessoas com sofrimento mental, emocional e existencial intenso devem procurar atendimento psicológico com profissionais da Psicologia, pois são os que tem a habilitação adequada. Isso é amplamente reconhecido por diversas políticas públicas, entre elas o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), que empregam essas profissionais em larga escala. Mesmo na saúde suplementar, o exercício do cuidado psicológico é reconhecido e regulamentado. Há normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que obrigam os planos de saúde a oferecerem atendimento por profissionais da Psicologia.

Somos uma profissão regulamentada pela Lei 4.119, de 27 de agosto de 1962, os cursos de Psicologia são aprovados e fiscalizados pelo Ministério da Educação e o Ministério da Saúde reconhece a Psicologia como uma profissão da saúde. As mais prestigiadas universidades públicas e privadas oferecem formação em Psicologia e nossa ciência e profissão passam rotineiramente pelo escrutínio das pesquisas acadêmicas. Tudo isso confere segurança à sociedade de que se trata de uma ciência e profissão respaldadas ética e tecnicamente.

Saudamos como positiva a manifestação de diversos grupos e escolas de coaching, que, manifestando-se sobre o ocorrido, afirmaram compreender que os transtornos mentais devem ser cuidados por profissionais da saúde mental.

O CFP faz um alerta à sociedade para que não se deixe iludir. As pessoas devem buscar terapias adequadas conduzidas por profissionais habilitadas para os cuidados com a saúde, particularmente a saúde mental.”

(Conselho Federal de Psicologia)