Mariliense Janaina Moggi desfila pela Império de Casa Verde no Anhembi

Animação é o que não falta para a mariliense Janaina Moggi (33), foliã, comissária de bordo, roteirista e integrante da escola de samba Império de Casa Verde, uma das maiores e mais importantes agremiações do carnaval paulistano, em 2018.

Animação é o que não falta para a mariliense Janaina Moggi (33), foliã, comissária de bordo, roteirista e integrante da escola de samba Império de Casa Verde, uma das maiores e mais importantes agremiações do carnaval paulistano, em 2018.

Nem a distância de cerca de 443 km que separa Marília da capital paulista desanimou a foliã. Acostumada com grandes distâncias e com as alturas durante longas viagens na companhia aérea onde trabalha, Janaina confessa que está com o coração batendo forte, aguardando ansiosamente a expectativa de compor pela primeira vez em sua vida uma das cinco alegorias que irão atravessar o Sambódromo do Anhembi em São Paulo a partir das 23h15 deste sábado (10), na segunda noite de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial.

A bela Jana como é conhecida, compareceu em todos os ensaios técnicos e pôde sentir a emoção de pisar na avenida com mais de dois mil componentes que irão compor a agremiação, dividida por vinte e quatro alas e quatro setores sob o embalo da Bateria Barcelona do Samba e do interprete oficial Carlos Junior.

“Cantar, sambar e poder viver essa experiência será um marco em minha vida. Todos deveriam ao menos uma vez poder sentir a emoção de desfilar numa escola de samba. Quando conheci a Império de Casa Verde, meu coração disparou. Foi amor à primeira vista!”, conta a mais recente imperiana, com os olhos marejados.

“É extremamente importante recebermos, além da nossa comunidade, pessoas de outras cidades interessadas em desfilar no carnaval da cidade de São Paulo. O carnaval paulistano vem crescendo constantemente e se aperfeiçoando cada dia mais a ponto de despertar o interesse de um novo público”, disse o carnavalesco Jorge Freitas.

“O POVO: A NOBREZA REAL”

Ambientado no fictício país do Reino das Regalias, o enredo “O Povo: a Nobreza Real”, bebe na fonte de um clássico universal: o livro "Os Miseráveis", do francês Victor Hugo. Baseado na obra francesa, o enredo imperiano fará alusões àquela sociedade, envolta em revoluções e ideais. Ao retratar as mazelas de uma sociedade de regalias e pobreza, a Império leva à avenida uma crítica à “desconfortável” situação atual brasileira, na política e na sociedade, onde por sua vez repete-se após séculos uma situação similar onde nossos governantes enriquecem-se de forma ilícita aglomerando vasto patrimônio as custas do dinheiro do povo.

Nessa conjunção de fatores, o povo enfrenta suas dificuldades: a miséria, de fome e de moral; a falta de recursos; o buraco na rua; o ônibus que demora a chegar; o trânsito; o atendimento público problemático; o lugar onde a esperança sucumbiu, repleto de gananciosos vestindo terno e gravata; a liberdade aprisionada; enfim: o povo, às vezes sucumbe, às vezes reluta, luta.

Banquetes luxuosos em meio à miséria do povo serão retratados no desfile, marcado por personagens como reis, rainhas, padres e, claro, os miseráveis. Em meio à ganância e ao poder, começam a florescer os ideais revolucionários que levaram à queda da Bastilha - entenda “Bastilha” não somente como a prisão francesa, mas como nossos desafios diários: fome, miséria, caos social e político.

HISTÓRIA

Fundado em 1994 por dissidentes do Unidos do Peruche, o Grêmio Recreativo Cultural Social Escola de Samba Império de Casa Verde é considerada a escola com umas das mais rápidas ascensões no Carnaval de São Paulo.

No final do ano de 1993, alguns moradores e comerciantes da região da Casa Verde, liderados por Daílson “Caçapa”, organizaram-se para fundar uma nova escola de samba no bairro. 

O primeiro desfile da agremiação foi em 1995 e a Império sagrou-se campeã da sexta divisão logo na estreia. Na sequência vieram mais dois títulos e um vice-campeonato, que conferiram à escola uma subida considerada meteórica para o Grupo de Acesso em 1999. Em 2002, com o vice-campeonato, ascendeu ao Grupo Especial.

Os anos de sucesso se repetiram para a escola na elite do samba paulistano. Em 2005, apenas 11 anos após sua fundação, a Império de Casa Verde conseguiu seu primeiro título no Grupo Especial com o enredo "Brasil: Se Deus é por nós, quem será contra nós?". Novas conquistas vieram em 2006 e 2016 com os enredos "Do Boi Místico ao Boi Real - De Garcia D´Ávila na Bahia ao Nelore - O Boi que come capim - A Saga pecuária no Brasil para o Mundo" e "O Império dos Mistérios".

Contando com o respeito e a credibilidade de ser considerada uma das melhores baterias de escola de samba de São Paulo, sob o comando de Mestre Robson (Zoinho) por quatorze anos consecutivos, a Bateria da Império é conhecida pelo apelido carinhoso de Barcelona do Samba, fazendo uma alusão ao time de futebol famoso por suas conquistas equiparadas em dimensões diferentes ao excelente rendimento musical de seus ritmistas.

Presidida por Alexandre Furtado, a campeã do Grupo Especial em 2005, 2006 e 2016, será a segunda escola a se apresentar, a partir das 23h15, neste sábado (10), segunda noite de desfiles no Sambódromo do Anhembi.