Vacinação exclui os grupos mais suscetíveis aos efeitos colaterais

A vacina contra febre amarela atende a critérios mais rigorosos para a proteção da população. Isso porque possui vírus vivo atenuado e sendo uma doença grave, em determinados grupos mais suscetíveis esse vírus, ainda que abrandado, pode causar efeitos colaterais perigosos. É o caso de gestantes, bebês antes dos nove meses de idade, pacientes imunodeprimidos e idosos a partir dos 60 anos. De acord

A vacina contra febre amarela atende a critérios mais rigorosos para a proteção da população. Isso porque possui vírus vivo atenuado e sendo uma doença grave, em determinados grupos mais suscetíveis esse vírus, ainda que abrandado, pode causar efeitos colaterais perigosos. É o caso de gestantes, bebês antes dos nove meses de idade, pacientes imunodeprimidos e idosos a partir dos 60 anos.
De acordo com a infectologista de Marília, Luciana Pedral Sgarbi, os critérios para avaliar o risco-benefício da vacina leva em conta a condição clínica de cada um e o momento epidemiológico. No caso de Marília, até o momento, sem casos confirmados da febre amarela, nem em humanos nem em macacos, não há necessidade de colocar idosos, gestantes, pacientes e bebês antes dos nove meses sob o risco do imunizante.
Para os demais grupos a vacina tem sido indicada com a espera apenas de efeitos colaterais leves, como coceira ou dor suave no local da aplicação. Até porque, em uma etapa de bloqueio preventivo como agora, quanto mais pessoas imunizadas contra doença, mais difícil é de ocorrer um ciclo de transmissão.  O que significa que as pessoas vacinadas contribuem para proteger também os que não devem tomar a vacina.
“Por isso é que a recomendação é vacinar determinados grupos contra febre amarela apenas com atestado médico. Há casos em que idosos, por exemplo, estão aptos a tomar a vacina, mas necessitam de uma avaliação do seu quadro clinico para isso”, mencionou a médica. E o mesmo ocorre quanto aos demais grupos com imunodeficiência.
Entre os efeitos colaterais graves da vacina contra febre amarela estão doenças neurológicas, hemorrágicas e icterícia. “O risco é muito baixo, de 0,4 por cem mil doses aplicadas, mas existe. E se o momento epidemiológico é bom, o risco do efeito colateral da vacina se torna maior que o de contrair a doença”, explicou a médica.
Exceto se o médico autorizar que a pessoa tome a vacina por estar com um quadro clínico bom e estável. Nesse caso, basta levar o atestado para conseguir tomar a vacina nas unidades da rede básica, como qualquer outra pessoa. A infectologista ressaltou que se o risco de contrair a fere amarela aumentar, com surgimento de casos confirmados em macacos ou humanos, a saúde municipal passa a seguir novos protocolos do Ministério da Saúde em que pessoas com imunodeficiência podem ser incluídas na recomendação vacinal. “Isso ocorre quando a situação se inverte e o risco de contrair a doença se torna maior que o dos efeitos colaterais da vacina”.
Grupos com contraindicação pra vacina
Bebês com menos de nove meses estão no grupo mais suscetível à vacina pela imunodeficiência e formação cerebral, mas abaixo dos seis meses a vacina contra febre amarela não pode ser aplicada nem durante uma epidemia. Isso porque fatalmente levaria a uma sequela neurológica.
As gestantes, além de imunodeprimidas carregam o feto no ventre, com risco para ambos ao tomar a vacina. Daí não serem imunizadas pelo Município, exceto se o quadro epidêmico atual se alterar.
Os portadores de HIV são avaliados pelo médico e com o CD4 acima de 350 (imunidade) estão aptos a tomar o imunizante contra febre amarela. Entre 200 e 350, o médico avalia caso a caso e se o CD4 estiver abaixo de 200 a vacinação não é recomendável em nenhuma circunstância.
No caso dos portadores de outras doenças, em tratamento médico, a medicação também influencia na possibilidade ou não de tomar a vacina. “Há casos em que o risco da doença e a avaliação da condição do paciente leva o médico a optar pela suspensão da medicação para que a vacina possa ser tomada, o que não condiz, no momento, com a realidade de Marília. E, ainda assim, os medicamentos seguem prazos de segurança após a sua suspensão para que a vacinação possa ser feita”, informou Luciana Pedral Sgarbi.
A médica explicou que os idosos, independente do adoecimento, tem a imunidade reduzida pelo próprio envelhecimento, daí ser necessária a avaliação médica antes da imunização. “Por todas essas razões é que a enfermeira na unidade de sáude não tem condições de avaliar individualmente cada um antes da aplicação da vacina e os critérios são adotados para proteger as pessoas”.
A professora aposentada Iracy Zafred Raful, de 78 anos, não poderia tomar a vacina não fosse o atestado médico que levou em mãos. “Na minha idade há quem tenha contraindicações, mas como estou bem de saúde, meu filho, que é médico, achou por bem que eu fosse imunizada. Meu marido já tomou essa vacina quando viajou ao Mato Grosso, mas eu ainda não estava imune”. Ela recebeu a dose na quinta-feira na UBS Cascata.
Febre amarela
A febre amarela é uma doença considerada grave porque, embora 50% dos casos sejam assintomáticos, com menor agressão ao organismo, e 20% a 25% sejam pouco sintomáticos, existem os 15% a 20% dos casos em que a doença acomete seriamente o indivíduo, com icterícia, mialgia intensa (dor muscular), dor de cabeça, vômito, sangramentos, complicações neurológicas e risco de óbito. “Dentro desses 15% a 20% dos pacientes de febre amarela, mais de 50% dos casos são fatais, normalmente por hepatite”, mencionou a infectologista. Daí a preocupação em bloquear a transmissão da doença.